Setembro Amarelo: NÚMERO DE SUICÍDIOS CRESCE PELO QUINTO ANO CONSECUTIVO E BATE RECORDE NO PARANÁ

Avanço de casos de jovens e escolarizados, de 15 a 19 anos suicídios subiram de 57 para 68 (alta de 19,3%), e entre 20 a 29 anos de 175 suicídios num ano, óbitos passaram para 219 (variação de 25,1%).

A cada 40 minutos, uma pessoa dá fim à própria vida no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas em 2019 foram 13.105 óbitos causados por lesões autoprovocadas intencionalmente em todo o país, número 2,9% superior ao verificado no ano anterior.

Só no Paraná, estado que representa 5,4% da população brasileira, registrou-se 7,1% dos suicídios (925 mortes), o que dá uma média de cinco registros a cada dois dias.

Os números acima, tabulados a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), ajudam a demonstrar a gravidade do problema e a reforçar a necessidade de se falar sobre o assunto, ainda mais quando as estatísticas só fazem crescer: no Brasil, desde 2003 o número absoluto de suicídios sobe consecutivamente. No Paraná, o mesmo acontece há cinco anos.

Não surpreende, então, que os registros de 2019, ainda que preliminares, apontem para um recorde dentro da série histórica do Ministério da Saúde, iniciada em 1979. Ao longo da última década, o número de suicídios cresceu 39,8% no país e 42,75% no estado.

Se a estatística do suicídio já vinha crescendo, o que esperar quanto a 2020, ano da pandemia de coronavírus, com recessão econômica profunda (e todos os seus impactos sociais) e a transformação drástica nas formas de vivência e convivência?

Essa é uma das questões que aflige os profissionais da área da Saúde, em especial em setembro, o mês amarelo, e numa data como o 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

“As pessoas estão vulneráveis diante dos desdobramentos da pandemia e a Secretaria da Saúde está atenta a isso”, afirma o secretário da Saúde do Paraná, Beto Preto, citando ainda que, além das questões relacionadas à Covid-19, como o grande número de infectados, de internados e de mortes, a pandemia impôs também o isolamento e distanciamento social, desencadeando problemas relacionados à economia e também provocando danos à saúde mental.

“A campanha Setembro Amarelo é uma importante estratégia de prevenção, pois coloca o tema em evidência, principalmente neste momento de um novo cenário com muitos fatores de risco para a saúde mental. Por isso a necessidade de profissionais atualizados para identificar e tratar deste paciente”, diz a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde, Maria Goretti David Lopes.

Avanço de casos acontece entre os mais jovens e escolarizados

No Paraná, os dados do Ministério da Saúde mostram que, entre os anos de 2015 e 2019, os suicídios no Paraná se concentraram principalmente entre a população com idade entre 20 e 49 anos.

Por outro lado, em 2019 houve queda nos registros em quase todas as faixas etárias. Chama a atenção, no entanto, que os aumentos tenham acontecido justamente em duas das faixas mais jovens, de 15 a 19 anos (que subiu de 57 para 68 óbitos, alta de 19,3%) e de 20 a 29 anos (175 suicídios num ano e 219 no outro, variação de 25,1%).

Além disso, se considerada a escolaridade das vítimas (por anos de estudo), temos justamente a segunda faixa ‘mais estudada’ (8 a 11 anos de estudo) como a que concentra o maior número de óbitos (34% do total), enquanto os mais estudados (12 anos ou mais de estudos) apresentaram o maior crescimento porcentual no período analisado, passando de 61 registros em 2014 para 126 em 2019, alta de 106,6%.

Auxílio psicológico para todos os bolsos

Em Curitiba, é possível buscar auxílio psicológico por diferentes canais, com opções para todos os bolsos. O Centro de Valorização da Vida (CVV), por exemplo, atende pelo telefone 188, 24 horas por dia, com ligações gratuitas e sigilosas. O serviço conta com uma rede de voluntários treinados à disposição de pessoas que queiram e precisem conversar.

As universidades da cidade que oferecem o curso de Psicologia também costumam atender a população com alunos e ex-alunos prestando o serviço, acompanhados de professores. Por conta da pandemia, entretanto, foi necessário realizar adaptações e a maioria das instituições vinha ofertando o serviço de forma remota.

(Da Redação com Bem Paraná)

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