POLÍTICOS E ELEITORES CRITICAM ADIAMENTO DE ELEIÇÕES NA NIGÉRIA

Escolha do presidente da maior democracia da África ficou para o dia 23; há relatos de que cédulas não chegaram a todas as regiões do país

Os nigerianos acordaram neste sábado (16) com uma mistura de decepção e ira depois que a Comissão Eleitoral Nacional anunciou de surpresa o adiamento das eleições presidenciais, a poucas horas da abertura dos locais de votação.

Eleição na Nigéria é adiada horas antes do início da votação.

As eleições agora estão previstas para o próximo sábado (23), segundo a Comissão Nacional Eleitoral (INEC), que alegou problemas logísticos após uma reunião de urgência de madrugada.

Os dois principais partidos do país, o Congresso de Progressistas (APC, no poder) e o Partido Popular Democrático (PDP), condenaram esta inesperada mudança.

Neste sábado de manhã, o presidente em fim de mandato, Muhamadu Buhari, candidato à reeleição, pediu aos nigerianos que não causem “qualquer desobediência civil e se mantenham pacíficos, patrióticos e unidos”.

“Estamos chocados (…) não se adia uma eleição algumas horas antes” de começá-la, declarou o candidato da oposição, Abubakar Atiku, do PDP, que também pediu aos seus partidários que mantivessem a calma.

Em Port-Harcourt, no sudeste do país, eleitores que ainda não sabiam da notícia se apresentaram nos colégios eleitorais, que deveriam abrir às 8h locais (5h de Brasília).

“Estou indignado (…) Por que não anunciaram esse adiamento antes? Por que anunciá-lo de madrugada?”, declarou à AFP Chidi Nwakuna, um empresário de 51 anos convencido de que se trata de uma manobra do governo para “manipular as eleições”.

Mais de 84 milhões de eleitores estavam convocados às urnas nessas eleições da primeira economia da África e primeiro exportador de petróleo do continente.

‘Eleições livres, justas e críveis’

A INEC manteve uma reunião de urgência na sexta-feira (15) à noite, deixando em suspense este país de 190 milhões de habitantes.

“Para garantir a realização de eleições livres, justas e críveis, não é factível seguir com as eleições como estavam programadas”, anunciou finalmente Mahmood Yakubu, presidente da comissão, antes de assinalar que o adiamento será até sábado, 23 de fevereiro.

Yakubu não especificou quais eram os problemas logísticos, mas três centros de sua organização foram queimados no país, e a oposição denunciou que muitos estados não haviam recebido as cédulas eleitorais.

A votação para eleger 360 deputados e 109 senadores, que também aconteceria neste sábado, ocorrerá igualmente em 23 de fevereiro, enquanto a eleição dos governadores e das câmaras estatais passou para 9 de março.

Antes do anúncio, contudo, a oposição denunciou a falta de cédulas em muitos estados e o partido no poder o atribuiu a uma sabotagem de seus adversários.

Yakubu disse que a decisão do adiamento foi tomada após “uma revisão detalhada da implementação dos planos logísticos e operacionais”.

O adiamento “dará à comissão a oportunidade de abordar os problemas identificados visando manter a qualidade das nossas eleições”, acrescentou.

As eleições de 2015 também tiveram que ser adiadas e, naquele caso, citaram a ameaça à segurança por parte dos extremistas do Boko Haram.

Aquele adiamento de seis dias foi percebido como uma estratégia do presidente Goodluck Jonathan de tentar ganhar votos contra Buhari, então candidato da oposição.

Eleições criticadas

A oposição pode se beneficiar do medíocre balanço econômico do chefe de Estado em fim de mandato, marcado por uma recessão econômica (2016-2017) e um forte aumento da insegurança em várias regiões do país.

Mas a maior ameaça que pesa sobre as eleições é a compra de votos por partidos políticos, que buscam, assim, o apoio maciço da população.

Em um momento de desaceleração econômica, em um país onde 87 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, “já se sabe o que as pessoas são capazes de fazer em troca de um saco de arroz”, comentou um agente da polícia de Aba.

Além disso, na sexta-feira à noite, o grupo extremista Boko Haram realizou um ataque contra a cidade de Maiduguri, no nordeste do país, no qual oito pessoas morreram, anunciou neste sábado o responsável de uma milícia pró-governo.

(Com G1)

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