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Mundo: APÓS 144 ANOS, ZOO SE DESCULPA POR TER EXIBIDO JOVEM NEGRO EM JAULA DE MACACOS

Jovem africano do povo Mbutis nunca se recuperou da perda de identidade que sofrera e se suicidou em 1916.

Há quase 114 anos, o Zoológico do Bronx, em Nova York, colocou o congolês Ota Benga como uma das atrações do local em uma jaula junto aos macacos. Ele havia sido sequestrado de 1904 da África para ser exibido na Feira Mundial de Saint Louism e, em setembro de 1906, virou atração do zoológico. O jovem só foi retirado de lá depois de protestos de sacerdotes cristãos.

Após o caso, Ota foi levado para um orfanato no bairro do Brooklyn pelo reverendo James Gordon. No entanto, o jovem africano do povo Mbutis nunca se recuperou da perda de identidade que sofrera e se suicidou em 1916.

Passados 114 anos, a organização WCS, que administra o Zoológico do Bronx finalmente reconheceu seu erro e pediu desculpas à Ota e à população negra. Em uma carta divulgada no último dia 29 de julho, o CEO Cristián Samper classifica o episódio como uma “intolerância racial inescrupulosa”.

“Em nome da igualdade, transparência e prestação de contas, devemos confrontar o papel histórico de nossa organização na promoção de injustiça racial à medida em que avançamos na nossa missão de salvar a fauna e a flora”, escreve Samper. “Nos desculpamos e condenamos o tratamento dado a Ota”, acrescenta.

De acordo com o CEO, a iniciativa de pedir desculpas pelo caso surgiu ao olhar para os 125 anos de história da organização. A decisão também foi influenciada pelos protestos antirracismo desencadeados nos Estados Unidos após a morte de George Floyd.

Fundadores racistas

No mesmo comunicado, Samper pede desculpas pelo fato de a instituição, por meio de dois de seus fundadores, Madison Grant e Henry Fairfield Osborn, ter difundido ideias racistas com base em pensamentos “pseudocientíficos”.

Grant é autor do livro “The passing of the great race” (A passagem da grande raça, em tradução livre). A obra, que tinha prefácio de Osborn, foi usado na defesa de um dos nazistas julgados no Tribunal de Nuremberg.

“Lamentamos profundamente que muitas pessoas e gerações tenham sido prejudicadas por essas ações ou por nossa falha anterior em condená-las e denunciá-las publicamente”, diz o comunicado da WCS.

(Da Redação com ISTOÉ)

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