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EM DELAÇÃO HISTÓRICA, DARIO MESSER RENUNCIA A FORTUNA DE R$ 1 BILHÃO

Messer renunciou a sete fazendas, apartamento de luxo em NY e quadros de Di Cavalcanti. O doleiro também delatou o ex-presidente paraguaio e um Procurador de República, ex-integrante da coordenação da Lava Jato em Curitiba.

No maior acordo de delação da história da Justiça brasileira, o doleiro Dario Messer, preso no âmbito da operação Lava Jato, renunciou a uma fortuna de R$ 1 bilhão, o equivalente a 99% de seu patrimônio e Messer deverá cumprir pena de até 18 anos e 9 meses de prisão, com progressão de regime prevista em lei. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (12) e resultou de acordo de colaboração premiada.

Entre os bens de que Messer abriu mão, estão 81 imóveis no Paraguai, incluindo sete fazendas, um apartamento em Nova York avaliado em US$ 5 milhões, e até quadros do pintor Di Cavalcanti, que o Ministério Público Federal (MPF) quer que sejam doados a um museu.

Um apartamento duplex do “doleiro dos doleiros” na Orla do Leblon, na Zona Sul do Rio, deve ir a leilão, assim como ao menos seis imóveis dele na Barra da Tijuca, na Zona Oeste.

A maior parte do patrimônio de Messer, no entanto, está no exterior – R$ 700 milhões no Paraguai, onde há também gado e automóveis. Messer é naturalizado paraguaio e fugiu para o país vizinho em 2018, depois que vieram a tona denúncias contra ele por evasão de divisas, crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Câmbio, Desligo.

O MPF vai entrar com um pedido de cooperação junto ao país vizinho para ter acesso aos bens que estão lá. O doleiro tem ainda uma conta com US$ 12 milhões nas Bahamas.

Denunciou propina para Procurador da Lava Jato

O doleiro Dario Messer, delatou ainda o ex-Procurador da Lava Jato de Curitiba Januário Paludo (foto ao lado) com detalhes de um esquema de pagamento de propina ao servidor do Ministério Público Federal.

O documento com a denúncia foi entregue por Messer ao Ministério Público do Rio de Janeiro, que avaliou não ter competência legal para investigar o procurador.

A acusação foi então encaminhada à Procuradoria Geral da República, em Brasília, que acabou arquivando a acusação. A denúncia, portanto, acabou não entrando no acordo final de delação premiada do doleiro.

Januário Paludo atuou como testemunha de defesa de Dario Messer, em Ação Penal do Ministério Público Federal, no dia 3 de fevereiro de 2011. No seu depoimento, o então procurador alegou que não foi identificado nenhum envolvimento do doleiro Messer com as contas da Banestado – caso em que o nome do doleiro foi mencionado 276 vezes e no qual é apontado como o cabeça central do esquema.

Em novembro de 2019, foi divulgada uma conversa interceptada pela Polícia Federal, entre Messer e sua namorada, em que ele revelava pagamento mensal de propina a Januário Paludo. A propina, segundo o doleiro, seria para evitar que ele fosse investigado.

Januário Paludo é um dos mais antigos integrantes da força-tarefa da Lava Jato e também um dos mais experientes. Conversas vazadas do aplicativo Telegram pela Vaza Jato demonstraram que ele também exercia influência sobre os colegas. Demonstração disso é o nome de um dos grupos dos procuradores: “filhos de Januário”.

Denunciou o ex-presidente Horácio Cartes

Messer afirmou em sua delação premiada que o ex-presidente do Paraguai Horácio Cartes (foto ao lado) pagou US$ 600 mil a ele, por meio da namorada do doleiro, Myra Athaíde.

Segundo Messer, Myra foi uma intermediária porque Horacio exigiu entregar o dinheiro a uma pessoa de confiança. Myra foi ao Paraguai em janeiro de 2019 se encontrar com a pessoa enviada por Cartes.

Myra recebeu duas entregas de dólares em espécie, sendo uma de US$ 100 mil e, posteriormente, outra de US$ 500 quinhentos mil, totalizando US$ 600 mil em espécie.

De acordo com a delação, Myra entregou os US$ 100 mil a uma advogada Maria Letícia Bobeda Andrada, que representava o empresário Roque Silveira, que abrigou Messer, e depositou US$ 260 mil dólares na empresa FE Cambio, e deixou US$ 232 mil com a família Motta, que ajudava a esconder o doleiro e ficou com US$ 8 mil para ela.

O doleiro afirmou também que Horácio Cartes pediu que o doleiro não se entregasse às autoridades durante seu mandato. Segundo Messer, o pedido foi feito enquanto ele estava em Salto Guairá, na casa de Roque Silveira, após a deflagração da Operação Câmbio Desligo.

Nesse período, Roque disse ter encontrado com Cartes e pedido dinheiro a favor de Messer, para arcar com gastos jurídicos. O ex-presidente teria respondido que sim. Messer afirma que falou por telefone com Cartes, enquanto este era presidente, e que Cartes pediu para o colaborador não se entregar às autoridades enquanto ainda era presidente.

Messer também afirma que entendia que seria dever de Cartes pagar inicialmente US$ 500 mil a ele, como um “acerto de contas”. O doleiro também afirma ter emprestado US$ 13 milhões a Cartes no passado.

Segundo Messer, o empréstimo da família Messer, realizado em 1994, serviria para salvar o Banco Amambay, de Cartes, que passava por crise financeira. Messer disse que o ex-presidente, então prometeu ao doleiro uma sociedade no banco, algo que nunca aconteceu.

O doleiro disse ainda que o empréstimo foi pago com três fazendas de gado que estavam no balanço do Banco Amambay, por dívida não paga de clientes correntistas, e próximas ao município de Pedro Juan Cabalero, em Amambay. Juntas totalizavam em torno de seis mil hectares. O Banco Amambay teria transferido a propriedade das fazendas para offshore Tournon S.A., de propriedade de Messer, pelo valor de US$ 4 milhões.

Em Casa

Messer foi preso no dia 31 de julho de 2019, após ficar 14 meses foragido, no endereço vinculado a sua namorada, Myra Athayde, em São Paulo. O doleiro ficou preso em Bangu 8, no Rio, até o início de abril de 2020, quando foi para prisão domiciliar após o STJ converter liminarmente o último dos três mandados de prisão preventiva deferidos pela Justiça Federal fluminense. Na semana passada, a Corte manteve a decisão em julgamento.

(Da Redação com Agências)

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