BOLSONARO DEMITE BEBIANNO

Gustavo Bebiano, futuro ministro da Secretaria-Geral da Presidência, do governo Bolsonaro. Brasilia, 04-11-2018. Foto: Sérgio Lima/Poder360

Floriano Peixoto é substituto; É o 1º ministro a cair na gestão

Gustavo Bebianno não é mais ministro da Secretaria Geral. A sua demissão foi anunciada nesta 2ª feira (18.fev.2019) pelo porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros. É o 1º integrante do 1º escalão do governo Bolsonaro a cair. A decisão será publicada no Diário Oficial da União de 3ª feira (19.fev.2019).

“O presidente agradece a sua dedicação à frente da pasta e deseja sucesso na nova caminhada”, declarou Rêgo Barros.

O general Floriano Peixoto é o novo ministro da Secretaria-Geral. Ele era secretário-executivo da pasta, função abaixo apenas da do ministro.

Dessa forma, Onyx Lorenzoni (Casa Civil) é o único ministro do Palácio que não é militar. Completam o time de auxiliares diretos do presidente o general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), e o general Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo).

A saída era esperada. No sábado (16.fev), o próprio Bebianno disse ser a “tendência”. Um dia antes, teve uma conversa áspera com o presidente, que o chamou de “X9” e “f.d.p.”.

Apesar do trabalho de ministros e a garantia do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, de que Bebianno permaneceria no cargo, prevaleceu a contrariedade de Bolsonaro com seu agora ex-subordinado.

O porta-voz evitou comentar sobre esquema de candidatas-laranja do PSL e disse que a decisão de demitir Bebianno foi de “foro íntimo do presidente”.

Perguntado sobre se foi oferecido algum cargo público a Bebianno, como embaixada ou direção de empresa estatal, Rêgo de Barros disse “desconhecer a informação”.

Leia a íntegra da nota divulgada pelo Palácio do Planalto sobre a demissão:

”Nota à Imprensa

O Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, decidiu exonerar, nesta data, do cargo de Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, o Senhor Gustavo Bebianno Rocha.

O Senhor Presidente da República agradece sua dedicação à frente da pasta e deseja sucesso na nova caminhada.

Brasília, 18 de fevereiro de 2019.”

O porquê da crise com Bebianno

Bebianno estava na berlinda desde que a Folha de S. Paulo publicou reportagem em que explica 1 suposto esquema de candidatas-laranja orquestrado nas eleições de 2018. O hoje ministro era presidente nacional do PSL à época. Ele nega. Disse que conversou 3 vezes com Bolsonaro e que estava tudo bem.

A situação de 1 dos assessores mais próximos de Jair Bolsonaro na época de campanha começou a se agravar quando o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) tuitou para acusar o ministro de mentir sobre as conversas com o presidente. Divulgou áudio para expor o ministro. Bolsonaro, o pai, retuitou.

Em entrevista à TV Record na 4ª feira (13.fev), Bolsonaro citou pela 1ª vez a possibilidade de demitir o ministro. “Se [Bebianno] estiver envolvido e responsabilizado, o destino não pode ser outro que não voltar às suas origens”, disse o capitão reformado do Exército.

Vazamento de áudios

O principal motivo para a raiva do presidente, no entanto, veio ao saber detalhes de vazamentos de áudios que compartilhou com Bebianno. Bolsonaro decidiu contar a história completa para todos os seus ministros que estavam em Brasília na 6ª feira (15.fev).

Diante de ministros em silêncio, o presidente relatou ter havido “quebra de confiança”. Ninguém discordou. Era como se todos endossassem, calados, a eventual demissão de Bebianno.

O Drive, newsletter do Poder360 para assinantes, publicou na 5ª feira (14.fev) o relato sobre o vazamento de 1 desses áudios. Nesta 6ª feira, a informação foi divulgada pelos sites O Antagonista e Veja.

(Com Poder360)

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