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Municípios temem colapso em serviços sem ajuda federal.

Coluna do Estadão – Prefeitos estão preocupados com a ineficiência da esfera federal nas ações de combate, na ponta, à pandemia da covid-19, segundo relatos das principais associações de municípios do País. Acham que o governo tem feito “muito anúncio” com pouca “atuação concreta”. Além do temor de a União ter dificuldades na aquisição de equipamentos, como os respiradores, eles avaliam que os transportes públicos e serviços básicos como a coleta de lixo podem sofrer colapso se não forem socorridos (e rapidamente) com dinheiro federal.

Olhai por nós. “Socorrer uma empresa em dificuldades é importante, mas não socorrer uma prefeitura é condenar uma população inteira”, disse à Coluna Jonas Donizette, da Frente Nacional de Prefeitos.

Te ajudo. Para Donizette, o governo errou ao ignorar os cadastros que as prefeituras já possuem ao desenhar o plano de pagamento do auxílio emergencial de R$ 600. “Quem está na pobreza não tem acesso a celulares e a aplicativos.”

Mãozinha. Já a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) vai orientar as prefeituras a buscar quem não tem acesso ao aplicativo do governo para que elas possam receber o auxílio emergencial da crise.

Queda livre. De acordo com a Confederação Nacional de Municípios, o primeiro pagamento de abril do Fundo de Participação dos Municípios teve uma redução de 15% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Ainda não. O repasse será feito às prefeituras amanhã e não inclui a recomposição das perdas prometidas pelo governo. A expectativa é de que o auxílio seja pago apenas no 15º dia útil do mês.

Sem grana. Para a CNM, a redução é preocupante porque o fundo é a principal fonte de receita para grande parte dos municípios. Jonas Donizette defende, por isso, a criação de um fundo equalizador dos impostos recebidos pelos municípios para se manter o mesmo nível de 2019.

https://politica.estadao.com.br/blogs/coluna-do-estadao/municipios-temem-colapso-em-servicos-sem-ajuda-federal/

Coronavírus faz Saúde ampliar despesas em 86%, mostra CNI

O Ministério da Saúde aplicou R$ 844,8 milhões entre janeiro e março de 2020, R$ 390 milhões a mais do que no mesmo período de 2019. As informações são de Manoel Schlindwein na Veja.

A Saúde apresentou uma expansão de 86% nos investimentos, a maior dentre o Executivo. O aumento nos recursos se concentrou no mês de março, em meio à pandemia da Covid-19.

Só em março a Saúde investidos R$ 435 milhões, R$ 220 milhões a mais do que no mesmo mês em 2019.

Os investimentos globais da União totalizaram R$ 5,8 bilhões, 15% a mais que no primeiro trimestre de 2019.

Os dados fazem parte do levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com informações da ONG Contas Abertas.

(Com Veja)

Testagem tem probabilidade alta de não detectar infecções; chance de falso positivo, por outro lado, é baixa

Harlan M. Krumholz
THE NEW YORK TIMES

Você teve algumas exposições que podem colocá-lo sob risco de estar com o coronavírus. Alguns dias depois, você tem uma tosse feia, sente certa falta de ar e está realmente cansado. Você tira a temperatura: 38,5 graus. Febre.

Você desconfia que tenha a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Os dias vão passando, e seu médico lhe diz para ficar em casa a menos que seu estado piore. Você se sente mal e finalmente marca uma consulta.

Eles fazem o teste da gripe enfiando um bastonete no seu nariz, e lhe dizem que o teste deu negativo, você não tem gripe. Dizem que estão economizando os testes da Covid-19 para as pessoas em pior estado. Você volta para casa com uma receita de antibiótico, possivelmente porque eles não sabem o que mais fazer, e lê sobre celebridades que deram positivo no teste, mas não parecem tão doentes.

Alguns dias depois, ainda com febre, você volta e os médicos concordam em lhe aplicar o teste do Sars-Cov-2, o vírus que causa a Covid-19. Mais uma vez metem algo no seu nariz até o que parece ser a parte inferior do olho.

Eles lhe dizem que o resultado estará disponível em alguns dias; você volta para casa e espera.

Finalmente o resultado sai e lhe dizem que você não tem a Covid-19. E agora?

Essa é a história real de um paciente. Na verdade, é a história de muita gente —pelo menos uma versão dela. Em todo o mundo, pessoas com sinais e sintomas da Covid-19 estão dando negativo no teste e se perguntando o que isso significa. Elas não aparecem nas estatísticas e são deixadas no limbo sobre o que devem fazer.

O problema pode estar no teste. Os testes atuais do coronavírus podem ter uma porcentagem particularmente elevada de infecções não detectadas. A boa notícia é que os testes parecem ser altamente específicos: se seu teste der positivo, é quase certo que você tem a infecção.

O teste mais comum para detectar o coronavírus envolve um processo chamado reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa, RT-PCR na sigla em inglês, uma mistura de palavras que descreve um método capaz de detectar partículas de vírus geralmente presentes em secreções respiratórias durante o início de uma infecção. De um ponto de vista técnico, sob condições ideais, esses testes podem detectar pequenas quantidades de RNA viral.

No mundo real, porém, a experiência pode ser muito diferente, e o vírus pode passar despercebido. O melhor que os Centros de Controle e Prevenção de Doenças podem dizer é que, se seu teste der negativo, “você provavelmente não está infectado no momento em que seu espécime foi coletado”. A palavra chave aqui é “provavelmente”.

Os resultados falso-negativos em testes —que indicam que a pessoa não está infectada, quando na verdade está— parecem ser desconfortavelmente comuns. Cada vez mais, e de modo perturbador, ouço um número crescente de histórias de meus colegas médicos e de pacientes que dão negativo no teste do coronavírus e, mais tarde, positivo —ou pessoas que quase certamente estão infectadas e seus testes dão negativo.

Infelizmente, temos muito poucos dados públicos nos EUA sobre a taxa de falso-negativos desses testes na prática clínica. Pesquisas da China indicam que o índice pode ser de aproximadamente 30%.

Alguns de meus colegas, especialistas em medicina laboratorial, manifestam preocupação de que a taxa nos EUA seja ainda maior.

Há muitos motivos para um teste dar falso-negativo em condições de vida real. Talvez a amostragem seja inadequada. Uma técnica comum é coletar secreções nasais do fundo do nariz e depois girar o bastonete várias vezes. Não é um procedimento fácil de praticar ou para o paciente tolerar. Outras causas possíveis de resultados falso-negativos se relacionam a técnicas de laboratório e às substâncias usadas nos testes.

Então, em que pé ficamos? Mesmo com mais testes, provavelmente estaremos subestimando a disseminação do vírus. Por enquanto, devemos supor que qualquer pessoa pode ser portadora do vírus.

Se você teve exposições prováveis e sintomas que sugerem infecção da Covid-19, provavelmente você tem a doença —mesmo que seu teste dê negativo.

Todos devemos continuar praticando os hábitos que impedem sua disseminação —lavar as mãos rigorosamente, não tocar o rosto, distanciamento social. E precisamos de melhor informação sobre o desempenho desses testes no mundo real —incluindo novos testes que são lançados.

Mesmo quando surgirem testes melhores, deveremos sempre ver o resultado do teste no contexto das outras informações que temos. É uma lição que perdura em toda a medicina: veja a imagem maior, não um dado isolado. Verifique a verdade usando todas as fontes de informação que você tiver, não importa quão bom seja um teste. E não se intimide em questionar uma conclusão que não se encaixe bem nos fatos.

Harlan Krumholz é professor de medicina na Universidade Yale e diretor do Centro de Pesquisa e Avaliação de Resultados no Centro Hospitalar de Yale em New Haven (Connecticut)

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/04/se-tem-sintomas-do-coronavirus-presuma-estar-doente-mesmo-que-teste-de-negativo.shtml

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