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De olho em 2022, esquerdistas tentarão, no mínimo, empatar com o bolsonarismo nas eleições deste ano.

A análise de 9,5 entre 10 militantes esquerdistas é a que o presidente Jair Bolsonaro é fascista. Alguns falam a palavra com a boca bem cheia pra que não haja dúvidas. Ou seja, há consenso sobre o nome que se dá à doença democrática que o país estaria vivendo, segundo a esquerda. Mas na hora de discutir o tratamento, cada um recorre à sua poção mágica.

O nível de consenso na construção de frentes esquerdistas para buscar derrotar candidatos vinculados ao bolsonarismo (ou seja, ao projeto fascista) é insignificante. Mesmo em capitais onde houve avanços, como em Porto Alegre, o PSOL não apoiará Manoela D’Ávila e terá candidatura própria.

Mas por que essas eleições de 2020 precisariam ser discutidas numa chave mais séria do que “preciso fortalecer o meu partido”? Porque seus resultados podem dar a Bolsonaro, segundo o esquerdismo, uma legitimidade e uma quantidade de aliados muito maior para fazer avançar seu projeto original, que é o de atropelar as instituições, fechando conselhos, tirando autoridade de reitores e intervindo em universidades, ampliando a militarização da educação, nomeando ministros do STF extremistas com apoio do Senado, processando jornalistas e perseguindo veículos.

Se Bolsonaro sair mais forte após 15 de novembro, ele vai capturar o que resta do tal centro para o seu projeto, também denominado pela esquerda como “autoritário”. Prefeitos que se elegeram com ele e deputados que elegeram prefeitos por conta do apoio dele, não lhe negarão apoio pra marcha contra os “inimigos” do seu projeto e já lhe erguerão nos braços rumo a 2026.

Evidente que o campo esquerdista terá muita dificuldade na disputa contra o bolsonarismo mesmo em frentes amplas ou mais à esquerda. O vento no momento bate a favor de Bolsonaro. Mas é possível fazer oposição de forma mais inteligente se as peças disponíveis no tabuleiro forem mexidas sem personalismos e a partir de um difícil olhar mais coletivo dos esquerdistas.

É possível derrotar o bolsonarismo se a esquerda conseguir o difícil objetivo de levar de 7 ou 8 candidatos com chances nas capitais para o segundo turno, o que permitiria negociar com partidos que ainda não se aliaram ao bolsonarismo e que têm interesse em enfraquecê-lo uma troca de apoios num segundo turno.

Se a esquerda tiver que decidir entre Bruno Covas e Celso Russomanno num segundo turno ou Eduardo Paes e Marcelo Crivella, para que lados a decisão penderá na opinião do caro leitor? Pois é. A decisão pode ser pior se os partidos esquerdistas não tiverem nem contrapartidas a pedir ao DEM e ao PSDB, em Porto Alegre, Salvador, Recife, BH etc.

A eleição é local, mas a estratégia de disputa não pode ser local. Ela tem que ser vinculada aos melhores caminhos para a esquerda, no mínimo, empatar com o bolsonarismo. Sim, o empate às vezes é uma vitória.

Se o time adversário tem melhores condições, não é inteligente jogar completamente no ataque. É preciso armar o jogo de maneira cuidadosa pensando em adiar a decisão pra ver se algo novo não acontece.

Se o campo da esquerda brasileira conseguir impedir uma vitória consagradora de Bolsonaro, a crise que pode se tornar avassaladora em 2021 pode vir a torná-lo um candidato fraco para 2022.

É este o jogo que precisa ser armado agora pelos opositores de Bolsonaro. É preciso que a esquerda sobreviva ao atual tsunami elegendo uma importante quantidade de prefeitos e vereadores para aproveitar as oportunidades que podem surgir.

Não é hora, segundo as lideranças esquerdistas mais experientes, de lançar candidatos pensando em coeficiente eleitoral ou em apresentá-los para numa futura disputa serem mais conhecidos.

Isso é de uma imensa irresponsabilidade que pode levar a esquerda brasileira a um futuro dramático. Não se faz oposição apenas olhando para o umbigo. É mais do que chegada a hora das lideranças caírem na real ou podem ter de amargurar um 2021 ainda pior do que o 2020, do ponto de vista político.

(Da Redação com Portal Fórum)

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