VITOR HUGO CRITICA MAIA PELA PAUTA DA CÂMARA

Deputado Vitor Hugo, líder do governo na Câmara, na sessão da CCJ. Brasilia, 15-04-2019. Foto: Sérgio Lima/PODER 360

Falta reunião para escolher projetos; Processo é ‘antidemocrático’, diz líder

O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), se queixou em entrevista ao Poder360 da formulação da pauta da Casa. Ele não citou o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ). Mas o destinatário da crítica é claro, pois é o chefe da Mesa Diretora o responsável por decidir o que é votado.

“Tem incomodado muitos líderes a falta de uma reunião formal para isso. A pauta é acertada por 2 ou 3 líderes em encontros fora da casa. Depois outros líderes chegam para a sobremesa, mas tudo já está resolvido. Outros vão só para o cafezinho. E muitos nem são chamados. Isso não é democracia”.

Vitor Hugo negou ter tido participação na derrota parcial do governo, na semana passada, na votação da MP 870 –que reestruturou os ministérios– na comissão especial que tratava do tema. “Minha responsabilidade é quando chega à Câmara. Na comissão especial, o relator era 1 líder do governo [o senador Fernando Bezerra, MDB-PE]. O que fizeram? Não sei. Fui a favor, como deputado, da posição do PSL de não votar a MP. Só depois fui informado de que o governo preferia aprovar como estava, com 95% do que foi proposto. Acho que foi melhor deixar para depois. Nós queremos 100%. É possível aprovar. Se não for, as pessoas que forma contra vão ter que assumir que tiraram o Coaf de Moro”.

A MP poderá ser votada novamente na semana que se inicia como o governo quer, mantendo o Coaf com o ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) e a Funai com Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos). Antes, porém, terão de ser aprovadas duas outras medidas provisórias: a 863, que abre o mercado de aviação para companhias estrangeiras, e a 866, que cria a NAV Brasil, estatal de navegação aérea, permitindo a privatização da Infraero. O líder do governo afirma que a votação dessas 2 MPs poderá ser simbólica, votando-se a 870 em seguida. A ver.

Vitor Hugo tampouco citou a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP). Mas está implícita uma crítica à deputada quando ele se queixa da falta de articulação para a votação da MP 870 na comissão especial, já que as medidas provisórias são analisadas em comissões mistas. Ele destacou que a sabatina ao ministro Paulo Guedes (Economia) na semana passada foi tranquila devido à costura política que fez. “Gastei 5 horas com telefonemas, falei com todos os subrelatores”, conta.

Sempre que o governo leva 1 tombo no Congresso, como o da semana passada, crescem os comentários de que Vitor Hugo será destituído da Liderança do Governo. Ele não responde a isso. Diz apenas que tem a confiança do presidente Jair Bolsonaro. De fato, os dois são muito próximos e se encontram pessoalmente várias vezes por semana Algumas vezes sem outros interlocutores presentes.

O pesselista diz que qualquer líder, em comparação com legislaturas anteriores, teria maior dificuldade de aprovar projetos como o governo quer diante da determinação do presidente de romper com o sistema tradicional de trocar cargos no Executivo por apoio político.

Alfinetadas pelo twitter

O líder do governo na Câmara também usou seu perfil na rede social para publicar uma série de alfinetadas ao presidente da Câmara.

O goiano se queixou do ritmo de discussão da medida provisória que reestruturou a Esplanada e criticou as reuniões de Maia com líderes partidários na Residência Oficial da Câmara, para as quais Vitor Hugo não tem sido convidado. O presidente da Casa declarou a aliados que não despacha com o líder do governo.

No domingo, Vitor Hugo fez uma transmissão ao vivo em sua conta no Facebook para falar sobre as próximas articulações no Congresso. Na ocasião, ele voltou a declarar que o PSL trabalhará para que o Coaf volte ao comando de Sérgio Moro e que há tempo de sobra para aprovar a MP, que perde a validade em 2 de junho.

(Com Poder360)

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