VALE SOUBE DE PROBLEMAS EM SENSORES DE BRUMADINHO DOIS DIAS ANTES DO ROMPIMENTO

O diretor-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, durante entrevista coletiva, sobre rompimento de barragem em Brumadinho.

PF teve acesso a e-mails de funcionários

A PF (Polícia Federal) identificou e-mails trocados entre profissionais da Vale e de duas empresas ligadas à segurança da barragem de Brumadinho que mostram que, 2 dias antes do rompimento, a mineradora já havia identificado problemas nos dados de sensores responsáveis por monitorar a estrutura.

A informação foi divulgada pela TV Globo, que teve acesso aos depoimentos prestados por 2 engenheiros da empresa TÜV SÜD, André Jum Yassuda e Makoto Namba, responsáveis por laudos de estabilidade da barragem.

Eles haviam sido presos em dia 29 de janeiro, mas por determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça) foram soltos na 3ª feira (5.fev.2019).

Os advogados Augusto de Arruda Botelho e Brian Alves Prado, que defendem os engenheiros, disseram que não comentarão o conteúdo do depoimento.

O delegado Luiz Augusto Nogueira, da Polícia Federal, referiu-se, no depoimento, à existência dos e-mails trocados entre os funcionários da Vale, da TÜV SÜD e da Tec Wise, outra empresa contratada pela Vale.

Segundo o delegado, as mensagens começaram a ser trocadas no dia 23 de janeiro, às 14h38, e se prolongaram até as 15h05 do dia seguinte. A barragem se rompeu em 25 de janeiro, às12h28min25s. De acordo com o último levantamento, 150 pessoas morreram na tragédia e 182 estão desaparecidas.

Nas perguntas, Nogueira afirma que o assunto das mensagens “diz respeito a dados discrepantes obtidos através da leitura dos instrumentos automatizados (piezômetros) no dia 10 de janeiro de 2019, instalados na barragem B1 do CCF, bem como acerca do não funcionamento de 5 piezômetros automatizados”.

No depoimento não constam, no entanto, detalhes sobre as mensagens.

O engenheiro Makoto Namba afirma que só ficou sabendo das alterações dos dados fornecidos pelos sensores após o rompimento da barragem. Depois de ler as mensagens para Namba, o delegado o questionou: “qual seria sua providência caso seu filho estivesse trabalhando no local da barragem?”.

Namba respondeu, segundo o relatório da PF, que “após a confirmação das leituras, ligaria imediatamente para seu filho para que evacuasse do local bem como ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do PAEBM [Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração] para as providências cabíveis”.

No depoimento, Makoto Namba também falou sobre uma reunião com funcionários da Vale sobre o laudo de estabilidade assinado por ele. Segundo o engenheiro, 1 funcionário da Vale chamado Alexandre Campanha o perguntou: “A TÜV SÜD vai assinar ou não a declaração de estabilidade?”.

Namba disse à PF que, diante da pergunta, teria respondido que a empresa assinaria o laudo se a Vale adotasse as recomendações indicadas na revisão periódica de junho de 2018. No entanto, ainda assim, assinou o documento.

Segundo ele, “apesar de ter dado esta resposta para Alexandre Campanha, o declarante sentiu a frase proferida pelo mesmo e descrita neste termo como uma maneira de pressionar o declarante e a TÜV SÜD a assinar a declaração de condição de estabilidade sob o risco de perderem o contrato”.

A TÜV SÜD informou que não comentaria o assunto por estar sob sigilo.

Repercussão provoca queda da bolsa

Com a repercussão da informação sobre a Vale, a Ibovespa fechou nesta 4ª feira (6.fev.2019) com queda de 3.74%, aos 94.636 pontos, cerca de 4.000 abaixo do fechamento nesta 3ª (5.fev).

Além disso, a companhia teve cassada sua licença para operar na barragem das Laranjeiras (mina do Brucutu). A notícia foi confirmada pela Vale em fato relevante no final do pregão, quando a bolsa interrompeu as negociações com o papel, que caía 4,88%, a R$ 42,46.

(Com Poder360)

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