UM REFERENDO SOBRE TRUMP

Americanos devem comparecer em número recorde às urnas, em eleições legislativas tidas como um termômetro da atual gestão. Se perder maioria no Congresso, presidente pode ter projetos travados pelo restante do mandato

Os eleitores americanos vão às urnas nesta terça-feira (06/11) para renovar parte do Congresso. As eleições de meio de mandato (“midterm”) ocorrem sempre cerca de dois anos após a posse do presidente e, especialmente neste ano, são vistas como um referendo sobre a gestão na Casa Branca.

O pleito pode ter consequências sobre a agenda do governo Donald Trump no Congresso: se o governo perder a maioria, os projetos que dependem da aprovação das duas casas podem ficar travados pelo restante de seu mandato. Um exemplo é o polêmico muro na fronteira dos EUA com o México.

Hoje, o Partido Republicano, de Trump, tem a maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado. Pesquisas preveem que os republicanos percam a maioria entre os deputados, mas continuem sendo a maior força entre os senadores.

Além de frustrar a agenda legislativa de Trump, um revés dos republicanos na Câmara permitirá que os democratas criem comitês para investigar erros nas condutas pessoal e profissional de Trump e, possivelmente, até processos de impeachment do presidente.

A Câmara dos Representantes tem 435 deputados. Os estados são representados proporcionalmente de acordo o número de habitantes. Hoje são 236 republicanos, 193 democratas e seis assentos vagos. Todas as vagas são disputadas a cada dois anos, e o novo mandato dos parlamentares começará em janeiro de 2019.

O presidente da Câmara é o republicano Paul Ryan, de Wisconsin, que não está buscando a reeleição. A democrata e ex-presidente da Casa Nancy Pelosi é a líder da minoria democrata. Os democratas precisam ganhar 23 cadeiras para assumir o controle. Há boas chances de que consigam.

Já o Senado é composto por 100 parlamentares, sendo dois senadores para cada estado. A atual legislatura é composta por 51 republicanos e 49 democratas. Com mandatos de seis anos, cerca de um terço do Senado está em jogo a cada dois anos.

Na eleição desta terça-feira, 35 assentos estão em disputa – 26 deles atualmente ocupados por democratas, e nove por republicanos. O líder da maioria no Senado é Mitch McConnel, do estado de Kentucky. No Senado, é provável que os republicanos mantenham a maioria.

Além de renovar o Congresso, os eleitores de 36 dos 50 estados americanos vão às urnas para eleger governadores neste ano. Atualmente, os republicanos controlam 29 estados, e os democratas, 21.

Duas disputas têm grande destaque neste ano: na Geórgia, onde a democrata Stacey Abrams tenta se tornar a primeira mulher negra a ser governadora de um estado americano; e na Flórida, onde o democrata Andrew Gillum está em disputa árdua com o republicano Ron DeSantis.

Além de eleger seus legisladores, americanos em vários estados vão decidir ainda sobre diferentes temas: cinco estados votam a legalização da maconha medicinal ou recreativa; dois sobre o aumento do salário mínimo e três sobre acesso ao aborto e financiamento para a realização do aborto.

Uma pesquisa divulgada no domingo (04/11) pela NBC News e o periódico The Wall Street Journal mostra a demografia do voto americano. Os democratas lideram entre os eleitores afro-americanos (84% contra 8%), latinos (57% a 29%), de 18 a 34 anos (57% a 34%), mulheres (55% contra 37%) e independentes (35% a 23%).

Entre as mulheres brancas com diploma universitário, os democratas têm 28 pontos percentuais de vantagem: 61% contra 33% para os republicanos.

Por outro lado, os republicanos lideram entre os eleitores entre 50 e 64 anos (52% a 43%), homens (50% a 43%) e brancos (50% a 44%). Eles também têm a maioria dos votos dos homens com diploma universitário (65% a 30%).

Os democratas esperam eleger um número recorde de mulheres para o Congresso. Eles também devem fazer história com a eleição de candidatos LGBT e muçulmanos. O ex-presidente Barack Obama tentou motivar os eleitores nos últimos dias antes da votação.

“Uma eleição não eliminará o racismo, o sexismo ou a homofobia”, disse Obama em uma aparição na Flórida. “Isso não vai acontecer em uma eleição, mas será um começo.”

Já Trump fez discursos contra imigrantes latino-americanos que procuram asilo na fronteira dos EUA. Com uma caravana de migrantes centro-americanos se aproximando das fronteiras americanas, ele enviou mais de 5 mil homens para a região. O presidente afirmou que os soldados poderão usar força letal contra quem jogue pedras.

Cerca de 37% dos eleitores participaram das eleições legislativas de 2014, contra 42% em 2010. Já na votação de 2016, quando a Presidência estava em jogo, mais de 60% dos eleitores foram às urnas. Há a expectativa de que os últimos acontecimentos, como a caravana de latinos em direção aos EUA, possam levar a um recorde de participação eleitoral.

(Com DW)

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