Trump quebra silêncio e condena racismo e supremacistas brancos

Em meio a críticas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, posicionou-se claramente nesta segunda-feira (14/08) contra os supremacistas brancos. Na Casa Branca, o republicano afirmou que neonazistas e a Ku Klux Klan são criminosos.

“O racismo é mau e todos aqueles que promovem a violência em seu nome são criminosos, incluindo a KKK, neonazistas, supremacistas brancos e outros grupos que são repugnantes para tudo que defendemos como americanos”, declarou Trump.

“Condenamos da forma mais enfática possível essa demonstração monstruosa de ódio, preconceito e violência. Não há lugar para isso nos Estados Unidos. Não importa a cor da nossa pele, todos vivemos sob as mesmas leis. Todos reverenciamos a mesma bandeira. E todos somos feitos pelo mesmo Deus todo-poderoso”, afirmou Trump.

As declarações foram dadas dois dias depois de uma marcha de extremistas de direita em Charlottesville, no estado americano da Virgínia, que deixou um morto e mais de 20 feridos. Trump foi duramente criticado por democratas e republicanos após dar uma declaração vaga sobre o incidente, sem citar expressamente os supremacistas brancos que haviam convocado a marcha.

A retórica presidencial levou um porta-voz da Casa Branca a tentar aplacar as críticas ao dizer que, quando condenou a violência, Trump também se referia a “supremacistas brancos, KKK, neonazistas e todos os grupos extremistas”. Apesar da pressão, o presidente mantinha-se em silêncio depois da primeira declaração.

Nesta segunda-feira, Trump se reuniu em Washington com o procurador-geral, Jeff Sessions, e com o diretor do FBI, Christopher Wray, para abordar o ataque de Charlottesville. Depois do encontro, prometeu que todos que agiram criminosamente durante a marcha serão responsabilizados legalmente.

“Condenamos da maneira mais enfática este flagrante de exibição do ódio, fanatismo e violência”, destacou ainda aos jornalistas que acompanharam o discurso na Casa Branca.

Antes do pronunciamento de Trump, Sessions afirmou à emissora de televisão ABC que o ataque de sábado em Charlottesville cumpre os preceitos legais para ser considerado “terrorismo doméstico”. O presidente, porém, evitou usar esse termo na declaração.

A cidade universitária de cerca de 50 mil habitantes na Virgínia, a apenas 200 quilômetros de Washington, foi tomada pelo caos no sábado em meio a violentos choques provocados pela marcha de supremacistas brancos. Um motorista investiu contra um grupo de manifestantes pacifistas depois que a passeata fora cancelada pelas autoridades. Como consequência, uma mulher de 32 anos morreu e outras 20 pessoas sofreram ferimentos de distintas gravidades.

Além disso, dois agentes da polícia estatal da Virgínia morreram na queda do helicóptero com o qual estavam ajudando nos trabalhos de vigilância para proteger a segurança na cidade.

A marcha supremacista foi convocada para contestar a decisão de Charlottesville de remover a estátua do general Robert E. Lee de um parque no centro da cidade, considerado atualmente um símbolo da defesa da escravatura e do racismo.

 

Com DW

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