Trump acaba com programa de proteção a jovens imigrantes

O governo de Donald Trump anunciou nesta terça-feira (05/09) o fim do programa de Ação Diferida para os Chegados na Infância (Daca), criado pelo ex-presidente Barack Obama, que protegia da deportação 800 mil jovens imigrantes em situação de ilegalidade que chegaram ainda criança nos Estados Unidos.

Numa declaração à imprensa, o procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, afirmou que o decreto, assinado por Barack Obama em 2012, era “um exercício inconstitucional de autoridade do ramo executivo” e “uma ação de anistia executiva unilateral”.

Sessions, um dos membros do governo Trump com posições mais duras em relação à imigração no país, alegou ainda que o decreto negaria “trabalhos a centenas de milhares de americanos”, pois permitiria a imigrantes ilegais assumirem esses postos.

O governo deu um prazo de seis meses ao Congresso americano para encontrar uma solução legal para os jovens que eram protegidos pelo programa.  Uma lei de proteção tem apoio nos dois partidos, mas enfrenta forte oposição de alguns republicanos, que consideram a iniciativa uma anistia.

Em comunicado, Trump defendeu o fim do programa. “Nossa primeira e maior prioridade no avanço da reforma da imigração precisa ser a criação de empregos, melhorar os salários e garantir segurança para os trabalhadores americanos e suas famílias”, destacou.

“Não estou fazendo um favor punindo crianças, a maioria já adultos, pelas ações de seus pais. Mas precisamos reconhecer que somos uma nação de oportunidades por sermos uma nação de leis”, acrescentou o presidente.

Viver em legalidade

Estima-se que até cerca 2,1 milhões de jovens poderiam se beneficiar do programa, que não incluía pessoas com mais de 31 anos ou que chegaram depois de 2007. A grande maioria dos 800 mil beneficiados seriam jovens nascidos na América Latina.

O Daca permitia a jovens que foram levados para os EUA quando crianças de forma ilegal uma proteção contra deportação, além do recebimento de autorização de trabalho e número de segurança social.

Com essa proteção, eles conseguiam ter acesso à universidade, trabalhar de forma legal, visitar o país de origem e tirar carteira de motorista. As únicas diferenças para um cidadão americano é não ter um passaporte, não poder votar e poder ser deportados se cometerem algum crime.

O fim do Daca foi criticado por democratas. Uma das lideranças do partido na Câmara dos Representantes Nacy Pelosi classificou a decisão como “um ato político covarde” e disse que a medida afeta jovens em todo o país.

 

Com DW

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