SÓ 14% APROVAM TEMER, MAS METADE DOS BRASILEIROS PREFERE QUE ELE FIQUE NO PLANALTO

Após hiato de três meses, o instituto Datafolha fez novo levantamento nacional que traz boas notícias para o Governo Interino de Michel Temer. A cerca de quarenta dias da data prevista para a votação final do impeachment no Senado, que deve ratificá-lo no Planalto ou trazer de volta ao palácio a presidenta afastada Dilma Rousseff, metade dos brasileiros prefere que ele permaneça no comando do país, embora apenas 14% o considerem bom ou ótimo. De acordo com os dados publicados neste sábado pela Folha de S. Paulo, 32% defendem que Dilma seja reempossada e outros 18% se dividem entre os que querem novas eleições ou não souberam escolher.

Os números mostram que Temer, cujo Governo deu sinais de estabilização após um início tumultuado pela implicação no escândalo da Lava Jato, se beneficia do contraste com a petista, rejeitada por 65% do eleitorado antes do afastamento, e do próprio desconhecimento a seu respeito. Mesmo dois meses após ocupar a presidência, 33%, ou um em cada três brasileiros, não sabe o nome do atual ocupante do Planalto. Se 31% consideram sua performance ruim ou péssima, 42% parecem lhe dar o benefício da dúvida classificando o Governo de regular (na última pesquisa com Dilma, eram 24% que consideravam sua gestão regular).

Outra pergunta do levantamento dá pistas dessa boa vontade genérica com Temer: a melhora das expectativas em relação à economia. O índice de confiança elaborado pelo próprio Datafolha, que mescla percepção da economia com avaliação do sentimento em relação ao país, atingiu a melhor marca desde dezembro de 2014 – antes, portanto, do começo do ajuste fiscal anunciado por Dilma Rousseff, em dissonância com seu discurso eleitoral, e dos sinais mais fortes da crise que devem levar a um recuo de 7,1% do PIB em dois anos. Como muitos analistas adiantavam, o mandatário interino foi beneficiado por sinais de que o pior da recessão já passou.

Frágil pela interinidade e suscetível às exigências parlamentares, o Governo não tomou medidas relevantes de corte de gasto público – pelo contrário, aumentou o teto para o déficit previsto para 2016 – e sugere que só lançará mão de iniciativas impopulares tidas como inevitáveis, como o aumento de impostos, depois do impeachment. Seja como for, a carta de intenções do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, segue amplamente chancelada pelos agentes do mercado financeiro, que vive dias positivos com a melhora do índice da Bovespa. O dólar, em queda também por motivos externos, faz parte do cenário menos turbulento. O Planalto interino conta ainda com apoio ostensivo do empresariado, que melhora mês a mês sua confiança na economia, em espécie de profecia autocumprida.

O Datafolha só fez levantamento nacional a respeito do impeachment em abril, dias antes da controversa sessão da Câmara que aprovou o processo. De lá para cá, o apoio à destituição de Rousseff caiu um pouco mais: já tinha ido de 68% a 61% e agora está em 58%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Chama especialmente atenção a queda drástica de apoio a novas eleições, de acordo com a pesquisa. Se em abril, questionados sobre a opção, 79% disseram apoiar a saída, em caso de renúncia dupla de Dilma e Temer, agora só 3% mencionaram essa preferência. Na pesquisa de abril, também se perguntou sobre a defesa de um impeachment também de Temer e 58% se disseram favoráveis – como a íntegra do levantamento ainda não foi publicada, não é possível saber se a pergunta foi repetida nos dias 14 e 15 deste mês.

Além da acomodação da opção Temer ante a opinião pública, a falta de adesão às novas eleições é uma notícia especialmente ruim para Dilma Rousseff. Uma das últimas cartadas da presidenta afastada para conseguir os votos de senadores para se salvar do impeachment é se comprometer com um plebiscito para realizar um novo pleito. Sem entusiasmo popular por esse caminho, a tarefa fica ainda mais difícil.

O Datafolha também repetiu as simulações para eleição de 2018. Com lastro entre os mais pobres, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera todos os cenários de primeiro turno, com entre 23% e 22%, mas também lidera o índice de rejeição (46%). Ele não venceria nas simulações de segundo turno num momento de ainda grande indefinição a respeito da votação prevista para daqui a pouco mais de dois anos.

Com EL País

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