Repórter sueca desaparecida morreu em submarino

A jornalista sueca Kim Wall, desaparecida há quase duas semanas no Mar Báltico quando entrevistava o inventor dinamarquês Peter Madsen em seu submarino de fabricação caseira, morreu na embarcação. Dois dias após a confissão de Madsen de ter jogado o corpo da repórter ao mar, um torso foi encontrado numa praia ao sul de Copenhague. Exames de DNA confirmaram se tratar do cadáver de Wall, afirmou a polícia nesta quarta-feira (23/08).

“O DNA do torso corresponde ao de Kim Wall”, disse uma mensagem publicada na página oficial da polícia dinamarquesa no Twitter. O torso, cujos braços, pernas e cabeça foram “mutilados deliberadamente” de acordo com a autópsia, foi descoberto na segunda-feira por um ciclista na baía de Koge.

A jornalista foi vista pela última vez em 10 de agosto, quando embarcou no submarino caseiro UC3 Nautilus para entrevistar seu inventor. Em prisão preventiva, Madsen confessou na segunda-feira a um tribunal dinamarquês ter jogado o corpo da repórter ao mar, segundo a polícia dinamarquesa.

“O acusado explicou à polícia e ao tribunal que houve um acidente a bordo do submarino que provocou a morte de Kim Wall e que depois jogou o corpo ao mar em um local não definido na baía de Koge [sudeste de Copenhague]”, diz o comunicado da polícia.

O tribunal de primeira instância decidiu pela prisão preventiva de Madsen, por suspeita de homicídio involuntário. A polícia dinamarquesa informou que há pistas concretas sobre a rota do submarino UC3 Nautilus na baía e no estreito de Oresund (que separa a Dinamarca da Suécia).

O desaparecimento de Wall, de 30 anos, foi denunciado por seu namorado em 11 de agosto, horas depois de ela ter entrado no UC3 Nautilus – um submarino de quase 18 metros de comprimento e 40 toneladas – para entrevistar seu inventor. Madsen e Wall foram avistados a bordo da embarcação em águas fora de Copenhague, na noite de 10 de agosto. Fotos publicadas online mostram os dois na torre do submarino.

Schweden Journalistin Kim Wal (picture-alliance/dpa/AP/Tom Wall)A jornalista sueca, de 30 anos, embarcou no UC3 Nautilus para entrevistar o inventor dinamarquês Peter Madsen

Wall não retornou para casa e o submarino foi classificado como desaparecido. Equipes de resgate localizaram a embarcação em 11 de agosto na baía de Koge. Madsen foi resgatado, sozinho. E, em seguida, o submarino afundou. A embarcação foi içada posteriormente, mas sem sinais de Wall.

Madsen, de 46 anos, declarou inicialmente que tinha desembarcado a jornalista duas horas depois do início da viagem numa ilha do porto de Copenhague e que depois continuou navegando até sofrer problemas técnicos. Depois de mais de uma semana negando qualquer papel no desaparecimento de Wall, ele mudou seu depoimento, ainda que até agora não tenham sido revelados detalhes do seu conteúdo.

Na semana passada, autoridades dinamarquesas lançaram uma acusação inicial de homicídio involuntário e negligência contra Madsen. A polícia alega que Madsen afundou deliberadamente o submarino na baía de Koge, pouco antes de seu resgate.

Na Dinamarca, a acusação de homicídio involuntário abrange as mortes que ocorrem em casos como dirigir – e matar alguém – sob a influência de álcool ou outras drogas. O crime pode levar a uma pena de até oito anos de prisão.

Madsen é uma figura conhecida na Dinamarca por seus projetos de submarino e por ser o cofundador da firma Copenhagen Suborbitals, criada em 2008 com o objetivo de lançar ao espaço naves para um só passageiro. Quando navegou pela primeira vez em 2008, o UC3 Nautilus era a maior embarcação subaquática já construída de forma caseira.

 

Com DW

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