Rei da Espanha chama líderes catalães de “irresponsáveis”

O rei da Espanha, Felipe 6º, se pronunciou pela primeira vez nesta terça-feira (03/10) sobre o referendo de independência realizado no fim de semana na Catalunha, considerado ilegal pelo governo em Madri e alvo de violenta repressão policial, deixando centenas de feridos.

Em raro discurso transmitido pela televisão, o monarca chamou as autoridades catalãs de “desleais” em razão da realização da consulta popular, que havia sido suspensa pela Justiça do país. Segundo o rei, elas se colocaram “totalmente à margem do direito e da democracia”.

Para Felipe 6º, a liderança catalã pretendia, com o referendo, “quebrar a unidade da Espanha e a soberania nacional”. “Com a sua conduta irresponsável, eles colocaram em perigo a estabilidade da Catalunha e de toda a Espanha”, destacou o rei, que falava do Palácio da Zarzuela, em Madri.

Sem mencionar diretamente a violência policial no domingo, o monarca defendeu o “firme compromisso da coroa com a democracia e a unidade da Espanha”, afirmando que, diante da situação de “extrema gravidade” na Catalunha, é responsabilidade do Estado “assegurar a ordem constitucional”.

A violência policial no referendo separatista foi alvo de intensos protestos em Barcelona nesta terça-feira, além de uma greve parcial que atingiu alguns setores da economia, como comércio e transporte. A polícia local afirma que 700 mil pessoas foram às ruas contra a repressão.

No domingo, policiais enviados pelo governo federal tentaram interromper com violência a realização da consulta popular, deixando cerca de 890 pessoas feridas, segundo autoridades catalãs.

O governo regional da Catalunha afirma que 90% dos eleitores que foram às urnas votaram pelo “sim”. O número, porém, não representa a visão da maioria da população local, já que apenas 42% dos eleitores compareceram.

Ainda assim, Barcelona está considerando os resultados suficientes e diz que vai enviá-los ao parlamento local e declarar independência de Madri de maneira unilateral “dentro de alguns dias”. O presidente do governo catalão, Carles Puigdemont, também pediu a retirada da região dos milhares de policiais enviados por Madri.

O referendo, no entanto, é considerado ilegal pelo governo espanhol e, por isso, a declaração de independência não deve ser reconhecida. No domingo, o premiê Mariano Rajoy afirmou que o referendo simplesmente “não existiu”.

 

Com DW

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