PROJETOS FISCAIS DISTANCIAM TRUMP E HILLARY NA ECONOMIA

Em novembro, os americanos elegerão quem pilotará pelos próximos quatro anos a maior economia do mundo, com PIB de quase US$ 18 trilhões em 2015 (quase dez vezes o brasileiro).

Na semana passada, a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump apresentaram seus planos econômicos, e ficou clara a imagem dos EUA ante duas estradas possíveis.

Cortar regulações e impostos (para empresas e cidadãos) é o caminho do empresário para recuperar a economia do copo meio vazio –com empregos piores do que os de antes da crise e “a mais lenta recuperação desde a Segunda Guerra”, segundo o “Wall Street Journal”.

“Nós estamos em competição com o mundo“, disse Trump, e “os arranha-céus estão indo para Pequim”.

O copo está meio cheio para Hillary, que defende o legado de Barack Obama, responsável por rebocar o país da recessão e baixar o desemprego pela metade (de 10%, em 2009, para 4,9%).

Taxar os mais ricos e investir pesado em infraestrutura (US$ 275 bilhões em cinco anos) é a espinha dorsal econômica de sua candidatura.

Em comum, além do Estado escolhido para entregar a mensagem –Michigan, afetado pela derrocada industrial–, os dois se mostraram avessos a acordos internacionais.

É na escolha da matriz energética (combustíveis fósseis para ele; energia limpa para ela) e no campo tributário que os rivais mais divergem.

Trump propõe baixar de sete para três as faixas do Imposto de Renda. Prega sua cartilha: quem ganha de US$ 29 mil até US$ 54 mil por ano contribui com 12%; de US$ 54 mil a US$ 154 mil, 25%; acima disso, 33%.

Com Hillary, já a partir de US$ 9.725 por ano se pagam taxas, e maiores que as propostas por Trump: 15%. Seu plano tributário adiciona ao modelo atual –com sete faixas, que variam de 15% a 39,6%– nova categoria: 43,6% para rendimentos superiores a US$ 5 milhões.

A ideia é que a arrecadação extra ajude a bancar programas como universidade gratuita para estudantes de família com renda anual de até US$ 85 mil –plano adotado por pressão do ex-rival nas prévias, Bernie Sanders. A proposta do senador era mais ousada: gratuidade para todos. Hillary rejeitou: “Não sou a favor de faculdade de graça para os filhos de Trump.

Sob os dois projetos, o próximo presidente teria de transferir aos cofres federais 33% de seu salário, o maior para um líder no mundo: US$ 400 mil anuais (R$ 105 mil por mês, quase o quádruplo do ordenado brasileiro)

Trump chegou a cogitar um teto de 25% para os mais ricos, oito pontos percentuais a menos do que o valor que hoje defende. Mas seu plano é pródigo em outras medidas benevolentes para esse grupo.

O republicano propôs eliminar a coleta sobre heranças, também chamada de “taxa da morte” –que se aplica a bens que somem ao menos US$ 5,45 milhões por pessoa, o que acontece em dois de cada mil casos, segundo o governo.

Diretor do think-tank Tax Foundation, Kyle Pomerleau estima que o plano republicano reduza em até US$ 12 trilhões a receita federal em uma década. O projeto democrata a elevaria em US$ 500 bilhões.

BRASIL

Para o Brasil, nenhum dos candidatos traz particularmente boas novas.

Trump vê o resto do mundo com desconfiança. Promete “aplicar tarifas alfandegárias a países que trapaceiam” (já disse repetidas vezes que vários, inclusive Brasil, tiram vantagem dos EUA) e acusa o governo chinês de desvalorizar o yuan de propósito, para exportar mais produtos “made in China”.

É belicoso contra acordos comerciais: diz que irá renegociar o Nafta e estrangular a Parceria Transpacífico.

Para a economista Monica de Bolle, do Instituto Peterson, a vilanização dos tratados é “demagoga”. “As pessoas não entendem os efeitos funestos de taxar produtos chineses de modo proibitivo, as retaliações comerciais que podem disso ocorrer, sem falar nos problemas geopolíticos criados.

Hillary, que já deu declarações a favor do Transpacífico, recuou depois da grita de partidários de Sanders, que, assim como Trump, depreciava o acordo –escrito “a portas fechadas” para atender “interesses corporativos“.

Com Folha

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