PROJETO DA UNILA BUSCA CONSCIENTIZAÇÃO SOCIOAMBIENTAL DE CRIANÇAS

A iniciativa foi realizada em duas escolas municipais e combinou diversas atividades

Em 2014 e 2015, crianças e adolescentes de Foz do Iguaçu participaram de uma experiência socioambiental diferente, possível de ser replicada em outras regiões do Brasil. Por meio do projeto de extensão “Conhecer para Preservar meu Bairro”, promovido pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), eles puderam se aproximar da natureza e serem despertados para a gravidade dos problemas ambientais que atingem o mundo, tal como o desmatamento e o crescente número de animais com risco de extinção.

A bióloga e Profª da UNILA, Ana Alice Eleuterio, explica os principais objetivos da ação: “Como nós temos cada vez mais pessoas vivendo nas cidades e as cidades estão se expandindo cada vez mais, as crianças se desvinculam mais do meio natural, mesmo nos processos de aprendizado formal (nas escolas) e informal (eventualmente em espaços públicos). Esse desconhecimento do meio natural leva a uma distância em relação, principalmente em termos de conservação. A criança não entende, ou posteriormente um adulto, não se reconhece na natureza. Não sente empatia por outros seres vivos. Não reconhece os benefícios que manter uma árvore ou ter uma praça pode fornecer para eles. Então, tudo isso tem reflexo não só na vida da criança, mas também na vida do adulto e, obviamente outras gerações que vem por aí.”

“A ideia é fazer atividades com as crianças para que elas consigam ter esse contato mais próximo com a natureza nos seus ambientes onde passam a maior parte do tempo: nas escolas, nas suas casas, no seu bairro, e reconhecer esse contexto socioambiental onde estão inseridas.”, ressalta Ana Eleutério.

A iniciativa foi realizada em duas escolas municipais e combinou diversas atividades que instigaram a curiosidade pela observação, reflexão, análise e compreensão do entorno socioambiental em seus respectivos bairros.  “As atividades foram voltadas a vários aspectos: ao reconhecimento de áreas naturais do bairro, passeios pelo bairro, realização de experimentos científicos com técnicas mais aplicadas a crianças (para que as crianças desenvolvessem suas próprias perguntas de pesquisas)… também houveram atividades relacionadas à horta e transformação de recicláveis em brinquedos. Tudo isso vinculando um pouco a transformação de objetos em aspectos que tenham histórias, resgatando um pouco o brincar do passado.”, explica a Profª Eleutério.

“Todas essas atividades foram executadas com o objetivo de fazer essa conexão com o uso do espaço público, com a história ambiental do bairro e a percepção de moradores antigos. Por outro lado, como é um projeto de extensão, tem também uma intenção de formação dos próprios estudantes da UNILA que participam como voluntários ou bolsistas. Ambas as escolas ficavam relativamente próximas à áreas de remanescentes florestais ou rios urbanos (que ficam nos meios dos bairros e pouca gente conhece, porque muitos são transformados antes das pessoas saberem que existem ali do lado das casas).”, conta a Profª da UNILA.

Da Execução do Projeto  – “No primeiro projeto, escolhemos a escola pela área verde. No segundo, escolhemos a escola mas não sabíamos se tinha área verde para eles visitarem e conhecerem. Então, fizemos entrevistas informais no bairro para saber se tinham nascentes, área de floresta, rios, e acabamos sabendo por um meio pai de aluno da mesma escola, que morava próximo a uma área verde, que essa área tinha uma nascente. Nós, do projeto, fomos os primeiros a reconhecer a área e depois levamos as crianças. Então foi um reconhecimento duplo.”, detalha Ana Eleutério.

A professora também também cita outros resultados obtidos, como na construção de um novo pensamento das crianças sobre o meio em que habitam: “No cunho da extensão universitária, os principais resultados foram a formação de estudantes e a capacitação de estudantes universitários para trabalhar com a sociedade (principalmente crianças). Tivemos um apoio muito positivo dos pais. Não é fácil confiar numa pessoa estranha, que chega na escola do seu filho e leva ele para passear no bairro. Outros aspectos que reconhecemos como resultado, mas que não são numéricos, como crianças dizendo ‘ah, a gente foi visitar a nossa nascente’… Eles reconhecem aquela área do bairro, que não necessariamente pertence a eles, mas criaram uma conexão direta com áreas do bairro”.

As atividades foram encerradas com a pintura dos muros da escola e a entrega de fotos e camisetas do projeto produzidas com o desenho escolhido pelas próprias crianças.

 

Com WRA

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