PRISÃO DE LULA: MACRI DIZ QUE “RESPEITA INSTITUIÇÕES DO BRASIL”. ARGENTINA E REGIÃO DIVIDIDAS

A declaração de Macri foi feita nesta terça-feira. No Uruguai, a esquerda se dividiu. No Chile, jornal criticou os que apoiaram Lula após decisão do Supremo

A declaração do presidente argentino foi feita durante entrevista à imprensa ao lado do presidente do governo da Espanha, Mariano Rajoy. Com a afirmação, Mauricio Macri repetiu seu mantra quando o assunto é a crise política no Brasil. Ele disse frase similar quando perguntado sobre a destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.

Na terça (10), quando perguntado, durante a coletiva na Casa Rosada, a sede da Presidência argentina, respondeu: “Respeitamos o funcionamento institucional do Brasil.” A manifestação de Macri ocorre três dias após a detenção do ex-presidente Lula. O discurso de Lula e sua prisão foram cobertos de maneira ininterrupta pela imprensa argentina. Com a afirmação, Macri tenta evitar entrar em polêmicas com o principal parceiro comercial da Argentina.

O que ele disse agora já vinha sendo dito por seus assessores, nos bastidores. Mas quando o assunto é Lula a reação na Argentina e em outros países da região é imediata.

Minutos após a declaração de Macri ao lado de Rajoy, o Partido Obrero (PO), de esquerda, com forte presença nos movimentos sociais, mas nanico nas urnas, divulgou comunicado à imprensa.

“Após longo silêncio, Macri apoiou o golpe no Brasil”, interpretou o deputado Gabriel Solano (PO), segundo a legenda.

Na semana passada, ex-ministros do governo de Cristina Kirchner (2007-2015) participaram de um protesto contra a prisão de Lula em frente à embaixada do Brasil.

Cristina escreveu em suas redes sociais: “Hoje no Brasil algo ficou muito claro. Lula vencerá as próximas eleições. As elites querem que ele seja banido (do processo eleitoral).” Senadora, Cristina responde a vários processos na Justiça.

A prisão de Lula continua sendo tema também em outros países da região

No Uruguai, a Frente Ampla, do presidente Tabaré Vázquez, ficou dividida sobre o apoio a Lula. A ala do ministro da Economia e Finanças Danilo Astori, que foi vice-presidente do ex-presidente José ‘Pepe’ Mujica, preferiu não opinar. Mujica tem sido, há tempos, defensor ferrenho de Lula.

El presidente de Uruguay, Tabaré Vázquez (EFE).

A base governista do presidente uruguaio Tabaré Vázquez dividida sobre destino de Lula

“O Uruguai não pode opinar sobre o que afeta o nosso querido povo do Brasil”, disse Astori. E num tom diferente ao de Macri, continuou: “Quero expressar meu desejo de recuperação, de fortalecimento das instituições, especialmente da Justiça e da qualidade democrática da sociedade brasileira, que está sofrendo muito com este assunto, que virou um problema muito profundo que afeta o país.”

A situação política brasileira costuma ser acompanhada nos países vizinhos não apenas pelos políticos.

E desde a semana passada, quando o comandante do Exército brasileiro, general Villas Bôas disse repudiar impunidade – na véspera da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o habeas corpus da defesa de Lula – a preocupação com o Brasil foi intensificada.

O porteiro do prédio onde moro em Palermo disparou: “A democracia no Brasil está em perigo?”

Na Argentina, o debate sobre a política brasileira está presente nas TVs e rádios e no mundo acadêmico.

No Chile, em seu editorial desta terça-feira, o jornal La Tercera criticou a postura do ex-presidente Ricardo Lagos e do senador José Miguel Insulza de declarar apoio a Lula logo após decisão do STF.

RICARDO LAGOS EN EL COLOQUIO DE IDEA MAR DEL PLATAFOTO JUANO TESONE / ENVIADO ESPECIAL - mar del plata ricardo lagos coloquio de idea instituto desarrollo empresario argentino coloquio de idea empresarios politicos

Ex-presidente chileno Ricardo Lagos criticou posição do STF

No editorial, o La Tercera questiona que os políticos chilenos critiquem as instituições de outro país. E diz que Lula tem culpa no cartório. “Existem provas, acima do limite razoável, de que o ex-presidente foi um dos principais articuladores, ou o principal, no esquema da Petrobras”, diz o texto.

Os debates internos nos países vizinhos do Brasil ratificam o peso do país na região. Maior país da América Latina, o Brasil é tido como um “gigante” que a qualquer resfriado pode enfermar os demais. Especialmente seus vizinhos, pendentes da sua economia e da sua fortaleza ou debilidade política.

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