PF CONFIRMA QUE SUSPEITOS DE TERRORISMO ESTÃO EM PRESÍDIO DE SEGURANÇA MÁXIMA

A Polícia Federal confirmou na manhã desta sexta-feira (22) que os dez presos por suspeita de planejarem um ato terrorista na Rio-16 foram levados para o presídio de segurança máxima em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Ainda de acordo com a PF, dois investigados contra quem há mandados de prisão em aberto ainda não foram capturados. Segundo disse o ministro Alexandre Moraes (Justiça) em entrevista coletiva nesta quinta (21), ambos estão sendo monitorados

Parte dos presos durante a Operação Hashtag já estava em Campo Grande. Outros foram detidos em diferentes estados e levados para a capital do Mato Grosso Sul na noite de quinta, depois de fazerem uma escala em Brasília.

A ação teve como alvo os brasileiros Alisson Luan de Oliveira, Antonio Andrade dos Santos Junior, Daniel Freitas Baltazar, Hortencio Yoshitake, Israel Pedra Mesquita, Leandro França de Oliveira, Leonid El Kadre de Melo, Levi Ribeiro Fernandes de Jesus, Marco Mario Duarte, Mohamad Mounir Zakaria, Oziris Moris Lundi dos Santos Azevedo, Valdir Pereira da Rocha e Vitor Barbosa Magalhães.

Além dos 13 nomes, um menor de idade, que teve a identidade preservada, também foi alvo da operação.

Nesta quinta, a polícia prendeu dez pessoas suspeitas de planejar um ataque terrorista na Olimpíada do Rio, que começa no dia 5 de agosto. A ação da PF ocorreu nos estados do Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

Na quinta-feira, a Folha revelou que o governo brasileiro vinha monitorando cem pessoas no país que manifestavam simpatia ao Estado Islâmico.

O que é Estado Islâmico

OPERAÇÃO

O suspeitos fazem parte de um grupo que estava sob monitoramento pelo governo interino por fazer elogios, compartilhar conteúdo favorável a grupos extremistas e atentados terroristas. Eles representam cerca de 10% das cerca de 100 pessoas monitoradas pela Polícia Federal, como revelou a Folha nesta quinta.

Os presos constavam nessa lista de rastreados. Desde o início das investigações, eles compunham os 10% que mais despertaram atenção das forças de segurança.

A operação foi a primeira ação anti-terror da PF depois da aprovação da lei que tipificou os crimes dessa natureza.

Embora não haja registros de contatos diretos com terroristas, um dos suspeitos chegou a entrar em contato com uma empresa de armas para comprar um fuzil AK-47, o que acabou não se concretizando.

Outros fizeram o juramento de lealdade ao Estado Islâmico por meio de um site que oferece uma gravação do texto que deve ser repetido a quem deseja fazer parte do EI.

Essa lista foi elaborada pelas autoridades a partir do comportamento desses cidadãos —brasileiros e estrangeiros que vivem em território nacional— na internet.

A grande maioria dos rastreados, aproximadamente 90%, entrou na mira por adotar conduta suspeita ao entrar mais de duas vezes nos portais ou peças de propaganda com conteúdo de exaltação a grupos extremistas.

As forças de segurança não identificaram, no entanto, que esse grupo tenha feito insinuações ou se manifestado favoravelmente a organizações terroristas.

Os outros 10% vêm chamando mais a atenção do serviço de inteligência. Trata-se de pessoas que, ao navegar por essas páginas, escreveram mensagens mais elaboradas, inclusive elogiando iniciativas extremistas, ou compartilharam conteúdos relacionados ao terror.

As autoridades de segurança destacam que, ao menos por enquanto, nenhum dos cem monitorados é visto até agora como ameaça iminente, já que não foram encontrados elementos que comprovem uma ligação direta com terroristas, como diálogos ou repasses de recursos a grupos extremistas.

Todos os suspeitos serão monitorados pelo menos até o fim dos Jogos Olímpicos, no dia 21 de agosto.

Três dessas pessoas foram identificadas pelo serviço de inteligência depois que um delegado da Polícia Federal os flagrou falando em árabe sobre bombas e explosões em um bar em São Paulo.

Sem domínio do idioma, ele soube do conteúdo da conversa porque o dono do estabelecimento era árabe e traduziu para o policial o que estava ouvindo.

Nos últimos dias, a preocupação com terrorismo nos Jogos cresceu, principalmente em razão do atentado em Nice, na França. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional chegou a dizer que a preocupação com o tema havia “subido de patamar”.

Com Folha

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