PECUARISTAS DESISTEM DA PRODUÇÃO DE LEITE E IMPACTAM A ATIVIDADE NO PARANÁ

Nessa época de entressafra normalmente o preço do leite sobe porque a produção cai. Mas em 2016, a queda no campo foi maior que a esperada por vários motivos. A geada queimou os pastos na região sul e norte do Paraná. A ração ficou mais cara com aumento do preço da soja e do milho. O resultado é que com menos comida as vacas produzem menos leite. Agora, outro fator tem impactado essa redução. Muitos produtores têm desistido da atividade.

Valdir Picolotto, de Vitorino, fez uma lista com todos os vizinhos produtores de leite em um raio de quatro quilômetros da sua propriedade. Dos 31, 20 pararam nos últimos meses. “Alguns produziam até 1000 litros por dia. Isso preocupa, inclusive não apenas com a queda na produção aqui mas em toda a região“, lamenta Valdir Picolotto.

A sala de ordenha de Oscar Geremia era uma das mais modernas e hoje, depois de 20 anos na atividade, serve de depósito. “Parei porque não estava mais compensando, estava dando pouco retorno e muito trabalho. Agora, o preço do leite está alto. Mas tempos atrás era sempre aquela coisa, não cobria despesas“, diz.

Maria Janete Gobatto não esquece o dia em que vendeu todas as suas vacas. ” Quando eu vi carregando os bichinhos eu chorei. Elas tinha nome e atendiam a gente, né“, comenta. O resfriador está à venda e a família foi buscar emprego na cidade.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Leite do Sudoeste, Marcos Rovani, o que acontece na cadeia leiteira é o mesmo fenômeno que outras atividades agrícolas já passaram. A produção de leite, que teve um boom com muitos incentivos de caráter social, vem exigindo profissionalização. “Produtores que não explorarem a tecnologia não vão conseguir se manter. O sistema econômico não permite mais uma atividade que seja explorada minimamente“, fala.

Para um futuro próximo o mercado começa a acreditar na estabilização de preços. “Eu acho que chegamos nos patamares mais altos de preços. Nos próximos meses a história deve estabilizar. Baixar só quando tiver maior oferta da produção“, comenta Valdomiro Leite, dono de fábrica de queijo.

Com G1

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