OS ÚLTIMOS ESFORÇOS DOS PRESIDENCIÁVEIS

Campanha de Bolsonaro redobra esforços nas redes sociais, principal arma da sua campanha, e Haddad vai ao Nordeste, região onde aparece na liderança. Ciro, Alckmin e Marina ainda tentam se apresentar como “terceira via”

Faltando apenas algumas horas para o primeiro turno da eleição presidencial, os principais candidatos na disputa fazem os últimos esforços para influenciar a tendência de voto.

Jair Bolsonaro (PSL), que aparece como líder nas pesquisas, redobrou seus esforços em redes sociais, sua principal arma na campanha, para convencer eleitores de candidatos menos bem posicionados a mudarem sua preferência e ajudarem a assegurar uma vitória já no domingo (07/10).

Seus apoiadores têm mirado, sobretudo, nos eleitores de candidatos como Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), João Amoêdo (Novo) e Alvaro Dias (Podemos). Em grupos de Whatsapp, os militantes disparam mensagens em que defendem que o apoio ao candidato do PSL vai assegurar a derrota do PT.

Outros apoiadores continuam a divulgar boatos e fatos distorcidos para prejudicar outros candidatos. Neste sábado, circula um vídeo que aponta que Fernando Haddad (PT) teria “jogado a toalha” na corrida presidencial. Trata-se de uma fala do petista tirada de contexto, em que ele diz reconhecer a derrota. Apresentado como se fosse atual, o vídeo na realidade foi gravado em 2016, quando Haddad perdeu a disputa pela prefeitura de São Paulo.

Segundo o último Datafolha, Bolsonaro ainda está 11 pontos distante de vencer no primeiro turno. Ainda afastado de atos de campanha por recomendação médica, ele também mandou mensagens a seus auxiliares para que eles fiquem “quietos” na reta final da campanha. O objetivo é evitar a repetição dos episódios das últimas semanas que envolveram declarações controversas de membros de seu círculo.

Já a campanha de Fernando Haddad (PT), que tem 25% das intenções nos votos válidos, resolveu voltar mais uma vez suas atenções para o Nordeste, onde o petista aparece na melhor posição entre os eleitores, mas onde Bolsonaro registrou crescimento nos últimos dias. Com 37% das intenções de voto na região, Haddad ainda está distante dos níveis de outros candidatos petistas em eleições passadas, que chegaram a registrar mais de 60%.

Neste sábado (06/10), Haddad mudou sua agenda original. Em vez de um evento no ABC paulista, ele decidiu viajar a Feira de Santana, na Bahia, para participar de um ato ao lado de Jaques Wagner, candidato do PT ao Senado.

Na quinta-feira, último dia da propaganda eleitoral no rádio e TV, a campanha de Haddad mais uma vez atrelou a imagem do petista a Lula. Foi exibido um depoimento do ex-presidente. A campanha também mostrou críticas a Bolsonaro, já antecipando o tom que deve adotar em um eventual segundo turno.

Já o candidato Ciro Gomes (PDT) ainda aproveita as últimas horas de campanha para se promover como uma “terceira via” em relação à polarização entre Bolsonaro e Haddad. Com 13% dos votos válidos, Ciro está mais de dez pontos distante de Haddad. Na sexta-feira, em um ato de campanha na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, ele fez elogios a Haddad, mas disse que é o único candidato capaz de derrotar Bolsonaro no segundo turno. No mesmo dia, ele esteve em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, onde repetiu o mesmo discurso.

Seu último programa na TV também insistiu nesse cenário. “Tem gente que vota para evitar o PT. E outros que votam no PT para barrar o Bolsonaro. Eu entendo. Mas desse jeito, o Brasil vai continuar dividido, e a crise só vai aumentar. Tá na hora de unir o Brasil. Sou ficha limpa, tenho propostas, experiência e converso com todos os lados”, disse o pedetista na TV.

Mesmo tomada pelo desânimo por causa de deserções de aliados, a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), que aparece com 9% no Datafolha, também adotou um tom parecido com a de Ciro na reta final. No seu último programa de TV, Alckmin aproveitou para citar a hashtag #ElesNão, promovida por sua campanha para atacar o PT e Bolsonaro. “É uma ilusão acharmos que é por meio do autoritarismo e prepotência que vamos livrar o Brasil da corrupção”.

Na sexta-feira, Alckmin foi a um ato no Rio de Janeiro, onde acabou ouvindo gritos de apoiadores de Bolsonaro. No mesmo dia, em outro ato em São Paulo, o isolamento da sua campanha foi mais uma vez explicitado. Ao seu lado estavam apenas um punhado de representantes de partidos da sua coligação. Nos últimos dias, vários membros das legendas do chamado “Centrão” que haviam se aliado com Alckmin em julho passaram a abandonar o tucano e declarar apoio a Bolsonaro.

Já Marina Silva (Rede), que afundou nas pesquisas nas últimas semanas e só registrou 4% no último Datafolha, usou a sexta-feira para fazer campanha na Baixada Fluminense. Ela criticou tanto Bolsonaro quanto Haddad. Em seu último programa na TV, ela também pediu aos eleitores que não votem com “ódio”. “Eu convoco todos os que sabem que o ódio não constrói o futuro. Todos pela união do nosso país”, disse.

(Com DW)

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