Nazi: ALEMÃ DE 89 ANOS COMEÇA A CUMPRIR PENA POR NEGAR HOLOCAUSTO

Idosa é presa em casa pela polícia alemã após não se entregar no prazo estabelecido. Apelidada de “vovó nazista”, ela acumula condenações por refutar extermínio de judeus, que diz ser “a maior mentira da história”. Ursula Haverbeck alega que Auschwitz nunca foi usado para extermínio em massa.

A polícia da Alemanha prendeu na segunda-feira (07/05) a alemã Ursula Haverbeck, de 89 anos, condenada à prisão no ano passado por negar o Holocausto. Ela deveria ter se apresentado às autoridades na semana passada para começar a cumprir sua sentença, mas não apareceu.

Apelidada pela imprensa alemã de “vovó nazista”, Haverbeck estava em sua residência, na cidade de Vlotho, no noroeste da Alemanha, quando foi detida pelos policiais e levada diretamente à prisão, segundo afirmou a polícia à agência de notícias alemã DPA.

A idosa foi condenada por um tribunal em Verden a dois anos de prisão por uma série de acusações de incitação ao ódio, após ter afirmado que o campo de concentração de Auschwitz nunca foi usado para extermínio em massa, mas se tratava apenas de um campo de trabalho.

“Como a condenada não se apresentou à instituição penal competente dentro do prazo, os promotores em Verden emitiram em 4 de maio de 2018 uma ordem para executar a sentença e colocaram a polícia a cargo de implementá-la”, diz uma nota da procuradoria.

Segundo o jornal alemão Bild, ela tinha até a quarta-feira passada, 2 de maio, para se apresentar às autoridades. Ela não apareceu, e também não estava em sua casa na ocasião, relatou o diário. Não se sabe quando ela retornou à residência.

Ursula Haverbeck e seu falecido marido, Werner Georg Haverbeck (na foto acima), que era um membro ativo do Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores (NSDAP), na época da Segunda Guerra, fundaram um centro educacional de direita chamado Collegium Humanum, que está banido desde 2008.

Desde 2004, Haverbeck foi condenada diversas vezes e em diferentes tribunais por refutar o assassinato em massa de milhões de judeus na Alemanha nazista. Como sempre recorreu das decisões e devido ao demorado processo dos apelos, ela nunca chegou a cumprir pena.

Em um dos julgamentos, a octogenária falou de uma “mentira de Auschwitz”, insistindo que “nunca foi provado historicamente” que o campo nazista foi um campo de extermínio. “Isso é apenas uma crença”, disse ela em 2015.

Haverbeck chegou a afirmar ainda, em declarações na televisão, que “o Holocausto é a maior e mais sustentada mentira da História”.

Em janeiro de 2016, em um evento em Berlim, ela voltou a negar o genocídio de judeus entre 1941 e 1945 e afirmou que “nada é verdadeiro” nas câmaras de gás do antigo campo de concentração de Auschwitz.

Cerca de um ano mais tarde, durante um de seus julgamentos, em Detmold, Haverbeck desafiadoramente distribuiu a jornalistas e ao juiz um panfleto intitulado “Somente a verdade te libertará”. No texto, ela novamente negou as atrocidades cometidas pelos nazistas.

Estima-se que 1,1 milhão de pessoas tenham sido executadas no campo de Auschwitz, localizado na Polônia, sendo 90% delas judias. Entre os outros assassinados estão poloneses, membros das minorias sinti e roma, prisioneiros de guerra soviéticos e homossexuais.

De acordo com a legislação da Alemanha, a incitação ao ódio é uma infração penal muitas vezes aplicada a indivíduos que negam, endossam ou banalizam publicamente o Holocausto. O crime prevê o pagamento de multas e entre três meses e cinco anos de detenção.

 

(Com DW)

 

 

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