Mais de um milhão de fiéis aplaudem o Papa alheios à disputa política na Colômbia

Na primeira fila da missa multitudinária no aeroporto Olaya Herrera, centro de Medellín, Álvaro Uribe esperou com sua família sob a chuva, assim como os outros moradores, a chegada do papa Francisco. Aguardou em silêncio. Tinha avisado que compareceria como fiel de um ato religioso, não como político. E já havia expressado suas queixas sobre o processo de paz ao Pontífice dias antes, em outra circunstância. O ex-presidente e atual senador enviou uma carta pública a Jorge Mario Bergoglio, resumindo tudo o que lhe desagrada na Colômbia do presidente Juan Manuel Santos.

No setor das autoridades, em meio ao tumulto, sem privilégios e com a capa de chuva, Uribe não precisou dissimular a relação ruim que mantém com o mandatário. Antes do início da liturgia mais apostólica das quatro que Francisco oferece em sua visita à Colômbia, foi anunciado que Santos não estaria presente. Seu vice, o general Naranjo, confirmou presença dias antes.

Outrora amigos e companheiros de Governo – Santos foi um implacável ministro da Defesa de Uribe contra as guerrilhas –, os dois políticos conseguiram se esquivar durante toda a visita papal. O ex-presidente e todo o seu grupo parlamentar do Centro Democrático receberam o convite do Governo para participar de diversos atos oficiais. Não confirmaram o recebimento nem deram motivo para faltar aos encontros.

A Presidência da Colômbia justificou a ausência de Santos em Medellín dizendo que o mandatário, na qualidade de chefe de Estado, só comparece a certos encontros. Em Bogotá, ele cumpriu estritamente a agenda. Em Villavicencio, esteve na homenagem a vítimas e perpetradores da guerra de meio século que terminou em novembro passado com a assinatura da paz com as FARC.

No domingo, Santos se despedirá do Papa no aeroporto de Cartagena, última cidade que Francisco visita antes de regressar ao Vaticano. Desse modo, Santos terá comparecido a todas as paradas, menos ao feudo do uribismo.

Mais de um milhão de pessoas se congregaram em Medellín, alheias à polêmica política. Queriam demonstrar ao Papa que a cidade da virgem dos sicários[assassinos de aluguel], do cartel mais sangrento da história da Colômbia, agora se transformou na capital de uma das províncias mais católicas do país. A única que tem uma santa, a irmã Laura de Jericó.

No total, foram 1.293.000 pessoas, quase metade da população de Medellín. Decoraram o altar com silletas – adornos típicos da Feira de Flores da cidade. O prefeito Federico Gutiérrez deu a Francisco as chaves da cidade e um poncho.

Nem Pablo Escobar, nem Uribe, nem Santos. Os habitantes de Antioquia conseguiram sua particular versão paisa [relativo a essa província colombiana] do Papa.

 

Com El País

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