Macron propõe reforma de UE “fraca e ineficiente”

O presidente da França, Emmanuel Macron, apresentou nesta terça-feira (26/09) sua visão de reforma para a União Europeia (UE). Ele destacou que os Estados-membros do bloco precisam traçar um caminho comum, tendo em vista os políticos eurocéticos que ganharam espaço nas recentes eleições federais europeias – por último na Alemanha, com a entrada inédita da legenda populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) no Parlamento.

“Aqui estamos numa Europa que está mais frágil do que nunca, com o peso da globalização como a conhecemos e vítima de ideias como o nacionalismo e movimentos identitários”, disse o presidente francês num discurso altamente aguardado a estudantes da Universidade de Sorbonne, em Paris.

“Os perigos, as ideias do passado estão crescendo outra vez. Pensávamos que o passado não voltaria”, acrescentou, numa aparente referência à entrada dos populistas de direita no Parlamento alemão. Essa atitude isolacionista, considerou, ocorre porque os europeus “esqueceram-se de defender a Europa”. “A Europa que conhecemos é lenta, fraca e ineficiente demais”, disse.

Para mudar isso, o líder francês propôs dar aos 19 países da zona do euro um ministro das Finanças, um orçamento comum e um parlamento – independentemente da legislatura transnacional da UE, cujos 750 assentos são preenchidos por representantes dos 28 países-membros do bloco.

Macron busca receber o endosso da chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, para sua agenda. Ele disse que Alemanha e França superaram o legado de duas guerras mundiais e, ao lado de seus parceiros, podem melhorar a União Europeia.

Desde domingo, quando a eleição alemã confirmou a entrada da legenda anti-imigração e eurocética AfD no Parlamento do país, Macron conversou duas vezes com Merkel. Ele também falou com outros líderes da UE e com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que não apoia a ideia de um orçamento ou parlamento separado para a zona do euro. Merkel não se opõe a um ministro das Finanças da zona do euro, mas diverge com Macron em relação ao poder do cargo.

Fronteiras e defesa

Em seu discurso, o presidente francês também afirmou que as fronteiras europeias têm de ser controladas, e os processos de análise de pedidos de asilo, acelerados e harmonizados, o que requer a criação de uma agência europeia que decida quantos migrantes podem ser acolhidos e onde.

Macron também abordou mudanças institucionais, iniciativas para promover a UE e novos empreendimentos nos setores de tecnologia, defesa e energia. Ele pediu que os colegas líderes da UE prestem atenção às necessidades domésticas, mas que não abandonem o bloco.

O presidente defendeu também a criação de uma promotoria europeia antiterrorismo e o surgimento de uma força europeia de proteção civil, que seria utilizada em casos de catástrofes naturais como incêndios, furacões ou terremotos. Ele ainda propôs incorporar nos exércitos nacionais militares procedentes de outros países.

“No começo da próxima década, a Europa terá que ter uma força de intervenção e uma doutrina comum de atuação”, disse Macron. “Contra o terrorismo internacional são necessários órgãos como uma academia europeia de inteligência ou uma promotoria europeia para a criminalidade e o terrorismo, além de um orçamento comum de defesa”, completou.

Além disso, o líder francês pleiteou um imposto comum e justo sobre as emissões de carbono, além de um aumento nos investimentos em projetos de “desenvolvimento” em regiões como a África. “É uma mentira que se entregar ao seu próprio país será sempre um caminho bem-sucedido”, disse Macron. “Deixe-nos ser ousados juntos e tentemos este caminho novo.”

Ao lado dos temas Brexit (saída do Reino Unido da UE) e eleição legislativa na Alemanha, as propostas de Macron provavelmente estarão no topo da agenda na cúpula de dois dias entre os 28 Estados-membros da UE na Estônia, realizada a partir desta quinta-feira. A cooperação com a Alemanha será essencial, embora Macron também precise convencer outros parceiros europeus.

O ex-ministro da Economia assumiu a presidência da França em maio deste ano, prometendo fortalecer a zona do euro e aprofundar a integração da UE à medida que o bloco se prepara para a saída do Reino Unido. Na França, Macron já começou a implementar uma agenda neoliberal agressiva.

 

Com DW

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