LIGAÇÃO CHINESA

A Huawei tenta pela terceira vez vender seus smartphones no mercado brasileiro. Dessa vez, através de uma parceria com a Positivo

Poucos dias antes de atingir valor de mercado de US$ 1 trilhão, a Apple sofreu um duro golpe em seus negócios. Fundada em 1987 por Ren Zhengfei, um ex-engenheiro do exército chinês, a chinesa Huawei ultrapassou a empresa americana como a segunda maior vendedora global de smartphones, com uma fatia de 15,8% das vendas mundiais ante 12,1% da fabricante do iPhone. A Samsung segue na liderança com 20,9% do mercado, que comercializou 348,2 milhões de aparelhos no segundo trimestre.

Se o crescimento da Huawei pegou os consumidores de surpresa, o resultado não surpreendeu a Richard Yu, CEO da companhia que faturou US$ 92 bilhões no ano passado. “Em 2019, é possível nos tornarmos a primeira colocada”, disse o executivo, em um comunicado no começo do mês. Para atingir esse objetivo, a aposta se dará no Ocidente. Mas não será no mercado americano, onde a empresa enfrenta a pressão de órgãos reguladores por conta da guerra comercial entre Estados Unidos e China e pelo temor de uma suposta espionagem chinesa. Em vez disso, a Huawei volta novamente seus olhos para o Brasil.

Embora esteja estabelecida no País com serviços voltados para a infraestrutura do setor de telecomunicações desde 2002, a empresa chinesa não conseguiu vingar seus negócios de smartphones no Brasil. Em 2014, a companhia encerrou sua divisão móvel por aqui após problemas em sua operação comercial. Uma segunda investida aconteceu no ano seguinte, na esteira da entrada de outra concorrente chinesa, a Xiaomi. As duas fracassaram. Três anos depois, a Huawei vai para a sua terceira tentativa com a aposta em uma estratégia diferente. A gigante asiática firmou, no começo de junho, uma parceria com a brasileira Positivo, que ficará responsável por toda a operação no País, desde a importação dos produtos até o serviço de assistência técnica. “Para operar em solo brasileiro é preciso ter estrutura e entender o varejo local”, afirma Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da consultoria IT Data. “A Positivo conhece o varejo e sabe como trabalhar com as operadoras.”

Outro ponto que diferencia a operação atual são os celulares que serão importados. Ainda neste ano, a companhia trará ao Brasil, além dos modelos P20 Lite e Nova i2, o P20 Pro. Segundo o site americano DxOMark, reconhecido pela análise de componentes fotográficos, o aparelho da Huawei tem a melhor câmera do mercado – muito graças a uma parceria com a fabricante alemã de lentes Leica. Inicialmente, a expectativa da companhia é responder por 1% das vendas de celulares no Brasil. Isso significa comercializar pouco menos de 500 mil aparelhos em um ano. Em 2017, foram vendidos 47,7 milhões de smartphones no País. Caso esse objetivo seja concretizado, a empresa vai dar início à fabricação local. “Se a companhia tem fabricação local, ela consegue ser mais competitiva porque reduz os gastos com importação”, diz Reinaldo Sakis, gerente de pesquisa da consultoria IDC Brasil. Procuradas, as empresas Positivo e Huawei não se manifestaram sobre o acordo.

Ao mesmo tempo em que a Huawei direciona seus esforços para o Brasil, outra companhia chinesa quer competir no País. A Oppo, quinta maior vendedora de celulares do mundo, com 8,6% das vendas totais, vai inaugurar sua primeira loja na América do Sul em 26 de agosto. Com um detalhe: ela ficará em Ciudad Del Este, no Paraguai, a menos de 30 minutos de Foz Iguaçu, no Paraná. A localização é estratégica para atrair consumidores brasileiros, que não terão de pagar as altas taxas de importação de produtos chineses, enquanto a Oppo aguarda a homologação dos aparelhos com a Agência Nacional de Telecomunicações.

A expectativa é receber o selo até o fim deste ano. Se der certo, a fabricante cogita a abertura de lojas no Brasil. Até lá, a operação da Oppo estará restrita aos consumidores do país vizinho. “O Paraguai é um teste de mercado para o público brasileiro”, afirma Cesar Borba, responsável pela operação da Oppo no país, e que diz ter investido US$ 2,2 milhões no negócio. Borba não revelou a expectativa de vendas, mas está otimista por conta da qualidade dos produtos ofertados. É, realmente, um negócio da China.

(Com IstoÉ Dinheiro)

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