LEVANTAMENTO MOSTRA COMO JORNAIS RELACIONAM A TRÍPLICE FRONTEIRA AO TERRORISMO

Ao longo de 2018, 96 matérias de dez veículos de imprensa dos três países relacionaram a região trinacional ao terrorismo

A atenção de veículos de imprensa da Argentina, Brasil e Paraguai às supostas atividades associadas ao terrorismo e à Tríplice Fronteira, ao longo de 2018, é tema de um levantamento que será apresentado e debatido nesta quarta-feira (5), às 19 horas, no Espaço Florestan Fernandes 3 do Parque Tecnológico Itaipu (PTI), em Foz do Iguaçu.

O evento é gratuito e aberto ao público externo, mas é preciso se inscrever pelo formulário disponível aqui. As inscrições devem ser feitas impreterivelmente até as 10h desta quarta-feira (5) – incluindo os veículos de imprensa interessados na cobertura.

O estudo foi promovido para o ciclo de debates do Grupo de Pesquisa Tríplice Fronteira (GTF-Debate), da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), sob a coordenação do professor Micael Alvino Silva, docente do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais. “Partimos do pressuposto de que as reportagens noticiam fatos, apresentam tendências e, mais importante, se tornam fontes para outros jornalistas e até mesmo acadêmicos”, afirmou Micael.

Segundo o professor, o objetivo foi analisar como a imprensa nacional dos três países reportou os fatos associados ao nexo entre o terrorismo e a área da Tríplice Fronteira em 2018, quando fatos novos colocaram o tema de volta aos holofotes da imprensa. Entre eles, a prisão de Mahmoud Ali Barakat por lavagem de dinheiro no Paraguai (junho); a investigação de lavagem de dinheiro em cassinos e o congelamento de bens e dinheiro do “Clã Barakat” na Argentina (julho); a descoberta de passaporte irregular emitido a Assad Ahmad Barakat, no Paraguai (agosto); a prisão de Assad Ahmad Barakat no Brasil, a pedido do Paraguai (setembro); e a autorização de extradição de Mahmoud Ali Barakat para os EUA, para ser julgado por lavagem de dinheiro (outubro). Outros dois eventos também contribuíram para colocar o assunto em evidência, como a posse do novo presidente do Paraguai, Mário Abdo Benítez, em agosto, e a reunião de cúpula do G20 na Argentina, em dezembro.

“Além da descrição das reportagens, importa-nos as tendências e as novidades adicionadas à vinculação terrorismo-Tríplice Fronteira, que persiste desde o início da década de 1990”, explicou Micael, que contou com a colaboração das alunas da pós-graduação em Relações Internacionais da UNILA, Maria Aparecida Felix Mercadante (graduada em Relações Internacionais) e Nadia Carolina Paez Duarte (bacharel em Direito), além de Stela Guimarães de Moraes (pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas pela UNILA e mestre em Comunicação pela Universidade de São Paulo.

Quase uma centena de matérias

Ao todo, foram identificadas 96 matérias que repercutiam o nexo entre o terrorismo e a área da Tríplice Fronteira ao longo de 2018. A maioria dos textos encontrados é de veículos da Argentina (51 matérias), o que equivale a 61% do conteúdo analisado. No Paraguai, foram 30 textos, o dobro do Brasil, que teve 15 matérias analisadas.

Do Brasil, foram analisados os jornais Folha de São Paulo, Estadão, O Globo e a Revista Veja. Na Argentina, El Clarín, Infobae e La Nación (AR). No Paraguai, o estudo avaliou o ABC Color, Última Hora e La Nación.

A triagem das matérias se baseou em expressões-chaves: “terrorismo” e “Tríplice Fronteira”. Após a leitura, foram destacados os fatos, os argumentos e as tendências analíticas de cada publicação, como a preferência por um ou outro especialista estrangeiro no tema como fonte das reportagens. Os dois principais foram Vanessa Neumann e Emanuele Ottolenghi, ambos conectados à organizações com sede nos Estados Unidos.

Outro dado importante extraído dos textos recai sobre a movimentação financeira atribuída a Ciudad del Este. O estudo concluiu que é possível que o montante tenha ficado na casa dos US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões, no ano de 2017.

Histórico

A área da Tríplice Fronteira do Argentina-Brasil-Paraguai tem sido associada ao terrorismo desde a década de 1990 e, mais especificamente, após os atentados à Embaixada de Israel (1992) e à Associação Mutual Israelita Argentina – Amia (1994).

A importância da análise da cobertura de imprensa se baseia no fato de que muitos artigos são usados como referência – e, muitas vezes, como verdade absoluta – para as conexões entre a Tríplice Fronteira e o terrorismo.

“No caso das acusações de terrorismo que pesam sobre a Tríplice Fronteira, é particularmente conhecido o impacto da imprensa no Relatório Hudson, elaborado para a Biblioteca do Congresso Americano, em 2003; no debate político-acadêmico na revista Foreign Affairs e até mesmo em Processo de Extradição no Supremo Tribunal Federal brasileiro”, concluiu o professor.

(Com Portal da Cidade)

Seja o Primeiro a comentar on "LEVANTAMENTO MOSTRA COMO JORNAIS RELACIONAM A TRÍPLICE FRONTEIRA AO TERRORISMO"

Deixe um comentário

Seu email não será publicado.


*