INVESTIGADO NA 33ª FASE DA LAVA JATO QUE ESTAVA NA CHINA SE ENTREGA À PF

O investigado Marcos Pereira Reis, ligado ao consórcio Quip e que teve um mandado de prisão temporária expedido na 33ª fase da Operação Lava Jato, se entregou à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (5). Ele estava na China e já tinha informado às autoridades que iri se entregar.

Reis chegou à Superintendência da PF, em Curitiba, pouco antes das 14h. Logo depois, ele foi ao Instituto Médico-Legal (IML) para fazer o exame de corpo de delito, procedimento de praxe depois da prisão.

O prazo da prisão temporária tem duração de cinco dias e passa a contar a partir desta sexta. Depois, a prisão poderá ainda ser prorrogada pelo mesmo período, ou convertida para preventiva, que é quando o investigado fica detido por tempo indeterminado.

A atual fase foi batizada de “Resta Um” e mira a construtora Queiroz Galvão, suspeita de fraudar licitações da Petrobras e de pagar propina para evitar investigações de uma CPI no Senado. O consórcio Quip tinha a construtora como acionista líder.

Também foram presos o ex-presidente da construtora Ildefonso Colares Filho e o ex-diretor Othon Zanoide de Moraes Filho. Os dois estão detidos na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba desde segunda-feira (1º).

De acordo com as investigações, a Queiroz Galvão é suspeita de formar cartel para fraudar contratos na Petrobras; pagar propina por meio de doação eleitoral e via caixa 2; corromper funcionários público e políticos; interferir na CPI da Petrobras e manter funcionários no exterior, longe da ação da Justiça brasileira.

A 33ª etapa foi batizada de “Resta Um” porque, segundo a Polícia Federal, a Queiroz Galvão era a última empreiteira que faltava na investigação sobre formação de cartel na Petrobras.

Esta é a segunda prisão de Ildefonso Colares Filho e Othon Zanoide de Moraes em decorrência da Lava Jato. Em novembro de 2014, eles foram detidos na 7ª fase e soltos dias depois por determinação da Justiça.

A construtora é a terceira maior empresa em volume de contratos com a Petrobras, que superam R$ 20 bilhões. “A maioria desses contratos foi alvo de cartel de empreiteiras para maximização dos recursos dessas empresas privadas, com prejuízos bilionários para a estatal pretrolífera“, disse Jerusa Burmann Viecili, procuradora da República.

Segundo ela, a empresa já apareceu em outras três operações sobre esquemas de corrupção – duas delas foram anuladas por tribunais superiores.

Em nota, a Construtora Queiroz Galvão informou que está “cooperando com as autoridades e franqueando acesso às informações solicitadas“. A reportagem tenta contato com a defesa dos demais envolvidos.

Novas provas

Há indícios, que incluem a palavra de colaboradores e um vídeo, de que 10 milhões de reais em propina foram pagos pela Queiroz Galvão com o objetivo de evitar que as apurações da CPI tivessem sucesso em descobrir os crimes que já haviam sido praticados até então”, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

Temos um novo contrato, num valor bastante alto, um contrato de R$ 1,2 milhão, que está sob análise pericial para demonstrar que foi usado para pagamento de propina“, disse a delegada da Polícia Federal Renata da Silva Rodrigues.

Além disso, segundo a delegada, foi decisivo para as investigações o vídeo que mostra a negociação entre operadores e o então presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), para esvaziar a CPI sobre suspeitas de superfaturamento nas obras da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco.

Campanha de Lula

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou nesta terça que a empreiteira Queiroz Galvão é investigada por pagar caixa 2 para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2006. Segundo delação de Ricardo Pessoa, ex-presidente da UTC Engenharia, uma empresa que participou de consórcio com a Queiroz Galvão, o repasse para a campanha chegou a R$ 2,4 milhões.

A delegada Renata da Silva Rodrigues afirmou que a investigação sobre doações eleitorais da campanha de 2006 ainda estão em andamento.

Segundo ela, doações da Queiroz Galvão foram intermediadas pelo doleiro Alberto Youssef, considerado operador do esquema na Petrobras. A PF identificou três ou quatro parlamentares envolvidos, mas eles não são o alvo desta fase da operação. “Nosso objeto são os indivíduos que não têm foro [privilegiado]”, disse.

Com G1

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