GOVERNO BETO RICHA PODE TER SUPOSTO COMPROMETIMENTO PARA FAVORECER ODEBRECHT EM LICITAÇÃO DE OBRA DE 7 BILHÕES, APONTA GRAVAÇÃO

Governador Beto Richa durante entrevista à Rede Massa. Curitiba, 04/01/2016. Foto: Orlando Kissner/ANPr

Governadora Cida Borghetti (PP) exonerou ontem ex-chefe de gabinete do governo Richa (PSDB) de 6 cargos ocupados no governo, por conta do áudio divulgado. Ex-governador Beto Richa foi citado em dois depoimentos de delações premiadas da Odebrecht. STJ enviou investigação para o juiz Sérgio Moro em Curitiba.

Áudios entre o ex-chefe de gabinete do ex-governador Beto Richa (PSDB), Deonilson Roldo, e um construtor que participaria de uma licitação do projeto de duplicação da PR-323, indicam que o governo Richa atuou na tentativa de direcionar a licitação para a Odebrecht na obra à época da sua reeleição para governador, em 2014.

No início da noite desta sexta-feira (11), a governadora Cida Borghetti (foto ao lado) determinou a imediata exoneração de Deonilson Roldo de diretor da Copel e outros cinco cargos que Roldo ocupava no Governo do Paraná.

O custo total da obra ficaria em R$ 7 bilhões, e o projeto nunca saiu do papel. O construtor é Pedro Rache, diretor-executivo da Contern, uma construtora do grupo Bertin, que participaria da licitação.

A obra seria feita no noroeste do Paraná por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). A Odebrecht venceu a licitação.

Em nota, o Ministério Público Federal (MPF) informou que foi enviada ao órgão uma cópia do referido áudio e que foi solicitada a entrega do áudio original formalmente para que fosse realizada uma perícia, o que não ocorreu até o momento.

No dia 6 de abril, o tucano Beto Richa deixou o cargo para concorrer a uma vaga no Senado Federal do Brasil nas eleições deste ano. Quem assumiu o governo do estado é Cida Borghetti (PP) que, até então, era a vice-governadora.

Ex-governador Beto Richa e seu ex-chefe de gabinete, Deonilson “Déo” Roldo

A Conversa

O encontro entre Deonilson Roldo e Pedro Rache ocorreu em 2014 no gabinete de Deonilson, no Palácio do Governo do Paraná. A conversa foi gravada por Rache. Veja alguns trechos:

Deonilson: vocês têm planos para a PPP da 323?

Pedro: tenho planos fortes. Trabalhei muito e estou trabalhando. Claro que de uma maneira bem discreta. Mas estou com a proposta pronta para entregar agora.

Depois de ouvir o empresário, o ex-assessor de Richa afirma que o governo já tinha um compromisso na obra.

Deonilson: então, nós temos um cuidado, temos um cuidado muito grande pra as coisas não sejam, pra que não tenham nenhum problema.

Pedro: certo.

Deonilson: mas a gente tem um compromisso nessa obra aí.

Pedro: certo.

Deonilson: e queria ver até aonde a gente pode entrar nesse compromisso pra não desrespeitar. A gente conversou com muita gente no mercado.

Pedro: sei.

Deonilson: e aí ver qual é a possibilidade de entrar num entendimento aí. Porque, enfim, é um negócio grande, um negócio que a gente tem interesse que dê certo e tem outros pra acontecerem aí que a gente quer que a coisa comece de forma correta.

Em outro momento da conversa, Deonilson cita a Odebrecht e pede pressa.

Deonilson: você tem condição de conversar com alguma pessoa agora saindo daqui do negócio da Odebrecht?

Pedro: Sem problema. Deixa eu explicar. Eu preferia nesse momento… eu não quero atender a Odebrechet, eu quero atender o Governo, é diferente.

Deonilson também perguntou ao empresário se a empresa dele poderia entrar na licitação como “cobertura”, ou seja, com uma proposta para perder.

Deonilson: e a participação como cobertura?

Pedro: eu não vejo problema. Primeiro eu tenho que acertar, que ver lá.

Delações da Odebrecht

Beto Richa foi citado nas delações premiadas da Lava Jato do ex-executivo da Odebrecht na região Sul, Valter Lana, e do ex-presidente da Odebrecht infraestrutura Benedicto Júnior, divulgadas no ano passado.

Eles disseram que Richa recebeu, pelo menos, R$ 2,5 milhões como caixa dois para campanha eleitoral em 2014 porque consideravam que se tratava de um político promissor, mas que não houve uma contrapartida específica.

Conforme Benedito Júnior, os valores foram lançados internamente como despesas no projeto de duplicação da rodovia, na qual a Odebrecht atuou.

As investigações sobre o caso foram enviadas por determinação do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, ao juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal em Curitiba, e à Justiça Eleitoral do Paraná. O caso corre em segredo de Justiça.

(Com O Globo)

 

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