FAMÍLIAS RICHA E HAULY FALHAM NAS URNAS, MAS PARANÁ SEGUE ELEGENDO HERDEIROS

Estado segue um celeiro de sobrenomes famosos; sobrenomes como Francischini e Verri foram bem nas votações

Sobrenomes tradicionais da política paranaense passaram por experiências diversas nas eleições de domingo (7). Alguns foram tirados completamente do páreo (casos dos Richas e Haulys), outros não emplacaram transferências para o filho ou o irmão na Assembleia Legislativa do Paraná (casos de Wandscheer e Verri), mas a maioria dos políticos conseguiu eleger os seus herdeiros, como Requião, Lupion, Barros, Canziani e Francischini.

Os tucanos Marcello Richa, 32, filho do ex-governador Beto Richa, e Luiz Hauly Filho, 28, filho de Hauly, deputado federal desde 1991, não obtiveram votações suficientes para assumir cadeiras na Alep. Os pais também sofreram derrotas acachapantes em 2018. Richa fez apenas 3,73% para o Senado (6° lugar) e Hauly foi lembrado por apenas 35.133 eleitores na Câmara Federal.

Houve três casos de transferências completas de votos de pai e filho. O ex-vereador de Londrina Emerson Miguel Petriv, o Boca Aberta (PROS), foi eleito deputado federal e seu filho, Matheus Viniccius Ribeiro Petriv, 22, o Boca Aberta Júnior (PRTB), se elegeu deputado estadual. Os Francischini se elegeram com facilidade no bojo da onda Jair Bolsonaro (PSL): o pai fez 427.749 votos para a Assembleia Legislativa, maior votação da história do Paraná, e o filho ficou em segundo lugar na Câmara Federal, com 241.537 votos. E, por fim, Maria Victória (PP), 26, segue deputada estadual, enquanto o pai, Ricardo Barros (PP), continua como federal.

As demais transferências aconteceram pela metade. Alisson Wandscheer (PMB), 41, filho de Toninho Wandscheer (PROS), e Mário Verri (PT), 52, irmão de Ênio Verri (PT), não se elegeram para a Assembleia, mas os ascendentes mantiveram as cadeiras que já tinham na Câmara dos Deputados. Situação parecida de Requião Filho (MDB), 38, filho de Roberto Requião (MDB). O deputado estadual se reelegeu, mas o pai não.

O fenômeno também pode ser encontrado em Ratinho Junior (PSD), governador eleito em primeiro turno. Ele é filho do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, que foi vereador em Jandaia do Sul e Curitiba, e deputado federal entre 1991 e 1995. E também acumula duas passagens pela Assembleia Legislativa e duas pela Câmara Federal.

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Para o cientista político Emerson Cervi, professor da UFPR, os partidos mais impactados foram mesmo os mais tradicionais, na mesma readequação de forças do cenário nacional. “Tem mais a ver com o desgaste da politica tradicional”, destaca.

Mário Sérgio Lepre, professor da PUCPR e cientista político, afirma que a herança funcionou para apenas alguns por conta de uma “onda conservadora”. “Ficou muito claro no Paraná e no Brasil. Os Francischini, por exemplo, estavam muito identificados com o fenômeno Jair Bolsonaro (PSL). Se tivesse mulher e mais dois filhos, o Delegado levaria todos. Mas são muitas variáveis. O Requião perdeu a disputa para o Senado e elegeu o filho, mas provavelmente ele teria sido eleito se disputasse a Câmara. O Alex Canziani também”.

Câmara dos Deputados

Em nível federal alguns herdeiros políticos se elegeram com tranquilidade: Felipe Francischini (PSL), 27, filho do deputado estadual eleito Delegado Francischini (PSL), foi o segundo mais votado com 241.537 votos. Pedro Lupion (DEM), 35, filho do secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná e ex-deputado federal Abelardo Lupion, fez 92.300; e Luiza Canziani (PTB), 22, filha de Alex Canziani (PTB), fez 90.249.

Zeca Dirceu (PT), 40, filho do ex-ministro José Dirceu (PT); Ney Leprevost (PSD), 44, neto de ex-deputado estadual; e Gustavo Fruet (PDT), 55, ex-prefeito de Curitiba e filho de outro ex-prefeito da capital, Maurício Fruet, também se elegeram.

Assembleia

Em nível estadual os casos mais emblemáticos envolvem Requião Filho, quarto mais votado, com 82.652; Maria Victoria (PP), com 50.414 votos; e Mabel Canto (PSC), 33, filha de Jocelito Canto, ex-deputado estadual e prefeito de Ponta Grossa, com 35.036 votos.

Mas as cadeiras da Assembleia Legislativa do Paraná continuarão ocupadas por Artagão Junior (PSB), filho de Artagão de Mattos Leão, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR); Tiago Amaral (PSB), filho de Durval Amaral, atual presidente do TCE-PR; Alexandre Curi (PSB), neto de Aníbal Khury; Paulo Litro (PSDB), filho dos ex-deputados Rose Coletti e Luiz Fernandes; Anibelli Neto (MDB), filho e neto de ex-deputados estaduais; e Plauto Miró (DEM), neto do ex-senador Flávio Carvalho Guimarães e filho do ex-prefeito de Ponta Grossa Plauto Miró Guimarães. Cristina Silvestri (PPS), mulher de Cézar Silvesri, ex-prefeito de Guarapuava, também foi eleita.

Bruno Pessuti (DEM), 34, vereador em Curitiba e filho do ex-governador Orlando Pessuti, não se elegeu.

(Com Gazeta do Povo)

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