EX-PREFEITO DE NY MICHAEL BLOOMBERG ENTRA NA CORRIDA À CASA BRANCA

Bilionário embaralha campo democrata, que já tem outros 17 candidatos

Michael Bloomberg anunciou neste domingo que vai concorrer a presidente em 2020, levando sua enorme riqueza e sua eclética biografia política para a tumultuada primária democrata e procurando conquistar os céticos eleitores progressistas apresentando-se como uma ameaça multimilionária ao presidente Donald Trump .

Bloomberg, um ex-republicano que expressou reservas à guinada à esquerda de seu partido de adoção, disse num comunicado que ofereceria uma opção pragmática aos eleitores para tirar do poder um presidente que “representa uma ameaça existencial ao nosso país e nossos valores”.

“Derrotar Donald Trump — e reconstruir os Estados Unidos — é a mais urgente e importante luta de nossas vidas. E eu vou com tudo”, disse Bloomberg. “Eu me ofereço como um realizador e um solucionador de problemas — não alguém que apenas fala. E como alguém que está pronto para enfrentar as lutas duras — e vencer.”

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A entrada tardia de Bloomberg na corrida já balançou um conturbado campo democrata nas primárias. Ele deixou os rivais sobressaltados nos últimos dias ao reservar US$ 35 milhões para comerciais de TV dando destaque à sua biografia e à sua agenda política — uma cifra que supera em muito outros orçamentos de campanha para propaganda. Num website que foi ao ar neste domingo, Bloomberg abraçou seu status de competidor-surpresa, rotulando-se como “uma nova escolha para os democratas”.

Bloomberg, 77 anos, enfrenta obstáculos imensos para conquistar a nomeação democrata, começando por sua própria bagagem política que inclui um complexo emaranhado de negócios, um histórico de comentários desabonadores sobre mulheres e de apoio a políticas de combate ao crime que, desproporcionalmente, tornavam homens negros e latinos alvo de revistas invasivas.

Sua longamente adiada entrada na corrida o deixará em posição desfavorável para alcançar alguns dos outros candidatos na construção de um perfil nacional e de uma organização de campanha de larga escala. Como resultado, ele planeja montar uma campanha não convencional para as primárias, deixando de lado os primeiros estados, como Iowa e New Hampshire, em fevereiro, para se concentrar em estados com muitos delegados, como Texas e Califórnia, nas primárias de março.

Sua extraordinária riqueza, estimada em mais de US$ 50 bilhões, poderia, por si própria, representar um desafio político. É provável que ela intensifique o debate que já toma o Partido Democrata sobre se e como conter o poder dos extremamente ricos. O senador Bernie Sanders, de Vermont, acusou Bloomberg de “tentar comprar uma eleição” com sua ofensiva de comerciais na TV, e no sábado ele descreveu Bloomberg como um “sintoma do problema” de que as pessoas mais ricas no país têm demasiado controle do governo.

Talvez para se contrapor às críticas, o vídeo da candidatura e sua primeira propaganda incluem um apelo a que os ricos paguem mais impostos. A candidatura de Bloomberg tem o potencial de redesenhar as primárias de várias formas, talvez a mais imediata delas desequilibrando a competição para liderar a ala moderada do Partido Democrata. O ex-vice-presidente Joe Biden e o prefeito Pete Buttigieg, de South Bend (Indiana) emergiram como os principais candidatos próximos ao centro político, e Biden permanece como o favorito à nomeação.

Mas ambos têm várias vulnerabilidades e nenhum deles tem os recursos financeiros de Bloomberg. Da mesma forma que Biden, Bloomberg está apostando que os eleitores democratas irão se preocupar mais em derrotar Trump do que com outras considerações políticas ou ideológicas.

A mensagem de Bloomberg , no início, foca bastante em sua biografia como executivo de negócios e prefeito de Nova York, começando logo após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Seus assessores reconhecem que ele é bem menos conhecido dos eleitores do que os principais candidatos democratas. Sua propaganda de estreia na TV ressaltou suas credenciais como um executivo que fez a si próprio — “um garoto da classe média que teve sucesso” — e sua defesa política de temas caros aos democratas, como controle de armas e mudança climática, assim como desenvolvimento econômico e questões de saúde pública como o fumo. Esses temas, dizem seus assessores, serão cruciais à sua candidatura.

Embora Bloomberg seja um moderado, sua mensagem de estreia também, em alguns aspectos, se aproximou da retórica anti-Washington da ala populista do Partido Democrata, liderada por Sanders e a senadora Elizabeth Warren , de Massachusetts. “Eu sei como enfrentar os interesses especiais poderosos que corrompem Washington”, disse ele no comunicado deste domingo. “E eu sei como vencer.”

Sua capacidade de competir a sério pela nomeação democrata pode depender em parte de como ele conseguirá tornar-se atrativo para eleitores de minorias e brancos menos afluentes, que estão entre os mais ideológicos e moderados na coalizão democrata. É altamente incerto se grupos como estes verão um bilionário de 77 anos como uma alternativa competitiva a Biden, uma figura bem mais familiar que faz campanha com temas semelhantes.

No momento, Bloomberg parece preocupado, sobretudo, em apresentar-se a um eleitorado nacional que sabe relativamento pouco sobre ele.

(Com O Globo)

 

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