Ex-prefeito de Foz sabia e pediu que pagamentos irregulares fossem feitos, diz PF

O ex-prefeito de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, Reni Pereira (PSB) sabia e pediu que fossem feitos pagamentos irregulares de plantões médicos fictícios, aponta a Polícia Federal. Reni é alvo de um dos 14 mandados de condução coercitiva que devem ser cumpridos durante a 7ª fase da Operação Pecúlio, deflagrada nesta quinta-feira (24).

A atual fase investiga valores de plantões médicos fictícios lançados em benefício de uma empresa credenciada à prefeitura. Segundo a PF, as remunerações foram utilizadas para complementar os salários de agentes públicos e, em alguns casos, burlavam o limite constitucional previsto para os servidores municipais.

“Há indícios de que o ex-prefeito não só sabia como teria solicitado para que fossem efetuados alguns pagamentos fora da remuneração dos servidores”, comentou o delegado Sérgio Marciel Ueda.

O delegado explicou ainda que os valores eram recebidos e depois repassados para funcionários e ex-funcionários e para alguns profissionais médicos que não poderiam receber mais que o limite do salário do prefeito.

As investigações apontam também que pessoas sem vínculo com a administração municipal também foram beneficiadas no esquema. As irregularidades aconteceram em 2014 e 2015. Os valores pagos irregularmente não foram informados pela PF.

Polícia Federal deflagra sétima fase da Operação Pecúlio

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Além do prefeito, cinco médicos e os ex-vereadores Edílio Dall’Agnol e Luiz Queiroga, entre outros, foram alvos de mandados de condução. Os dois ex-parlamentares já haviam sido presos durante a 5ª fase da Operação Pecúlio.

“Eles [os ex-vereadores e o ex-prefeito] não eram os beneficiários diretos em valores, mas claro que existe o ganho político com as eventuais irregularidades”, apontou o Ueda.

O advogado de Reni, Vitor Augusto Sprada Rossetim, disse que o ex-prefeito havia denunciado as supostas irregularidades.

“Ele esclareceu alguns fatos por ele mesmo denunciados em abril de 2016 à Polícia Federal. Na época, ele trouxe suspeitas em relação a plantões médicos e a condutas de alguns servidores. Naquele momento ele pediu a instauração de um inquérito para que fossem apuradas essas condutas”, destacou.

Segundo o advogado Sílvio Benjamin Alvarenga, que defende Edílio Dall’Agnoll, o ex-vereador nega todas as acusações feitas contra ele durante a Operação Pecúlio e afirma que vai provar ser inocente.

Já Luiz Queiroga disse que em seu depoimento apenas colaborou com as denúncias que já haviam sido feitas antes à própria PF.

Dos 14 mandados de condução coercitiva, que é quando a pessoa é levada para prestar depoimento, até as 10h30 dois ainda não haviam sido cumpridos.

A operação também cumpriu 12 ordens judiciais de busca e apreensão. Na casa de um dos médicos os agentes apreenderam várias armas, silenciadores e munição. O responsável pelo arsenal foi preso em flagrante e deve responder por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a PF apreendeu documentos referentes às horas de plantão realizadas pelos médicos em 2014 e 2015 e que não sabe quem são os cinco profissionais conduzidos coercitivamente.

“A Secretaria aguarda a definição do retorno ou não desses profissionais. Caso algum médico fique retido, a Secretaria Municipal de Saúde irá trabalhar com a escala plantão.”

Na casa de um dos médicos levados para depor policiais apreenderam várias armas, silenciadores e munição; dono deve responder por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (Foto: PF/Divulgação)

Na casa de um dos médicos levados para depor policiais apreenderam várias armas, silenciadores e munição; dono deve responder por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (Foto: PF/Divulgação)

Pecúlio

Desde o início da operação, que investiga irregularidades em processos licitatórios e realização de obras para a Prefeitura de Foz, além desvio de recursos na Câmara Municipal, mais de 260 mandados judiciais foram cumpridos.

Somente em obras de pavimentação foram constatados prejuízos de aproximadamente R$ 4,5 milhões, ainda conforme as investigações.

Saiba quais os alvos das outras seis fases da Operação Pecúlio:

  • 1ª fase – deflagrada no dia 19/04/2016 (84 mandados): foram alvos, entre outros, o ex-secretário de tecnologia da informação e o ex-secretário de planejamento. O então prefeito foi levado para depor sob condução coercitiva.
  • 2ª fase – deflagrada no dia 03/05/2016 (sete mandados): novas informações levaram os policiais Secretaria de Obras. Foram presos preventivamente o ex-titular da pasta e o ex-diretor de pavimentação.
  • 3ª fase – deflagrada no dia 21/06/2016 (31 mandados): as investigações trataram de irregularidades em licitações para prestação de serviços; nove pessoas foram presas preventivamente.
  • 4ª fase – deflagrada no dia 14/07/2016 (um mandado de prisão): O TRF4 determinou a prisão domiciliar e afastamento do cargo do então prefeito Reni Pereira. No final de outubro, o STJ revogou a prisão, mas manteve o impedimento político.
  • 5ª fase, chamada de Nipoti – deflagrada no dia 15/12/2016 (78 mandados): foram presos 12 dos 15 vereadores da cidade. As investigações tratam do suposto pagamento de um ‘mensalinho’ aos parlamentares em troca de apoio político na Câmara.
  • 6ª fase, chamada de Nipoti 2 – deflagrada no dia 16/12/2016 (67 mandados): continuidade dos procedimentos do dia anterior.

 

Com G1
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