Ex-deputado Cândido Vaccarezza é preso em nova fase da Lava Jato

O ex-deputado federal e líder dos ex-governos Lula e Dilma, Cândido Vaccarezza, foi preso temporariamente em São Paulo nesta sexta-feira 18, quando a Polícia Federal cumpre desde cedo mandados de duas novas fases da operação Lava Jato. As etapas foram batizadas de Operação Sem Fronteiras e Operação Abate.

É a primeira vez que duas fases são deflagradas ao mesmo tempo. As duas apuram casos de corrupção, desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro. Os crimes foram identificados em contratos firmados entre a Petrobras e grandes empresas.

Foram cumpridas 46 ordens judiciais, sendo 29 de busca e apreensão, 11 de condução coercitiva e seis de prisão temporária em São Paulo, Santos e no Rio de Janeiro. Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR).

Quais são as acusações?

O Ministério Público Federal (MPF) afirma que Vaccarezza usou a influência decorrente do cargo de deputado federal em favor da contratação da empresa Seargent Marine pela Petrobras. No total, a empresa obteve 12 contrato entre 2010 e 2013 que somam 180 milhões de dólares.

Provas colhidas durante a Operação Abate indicam que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, além de outros dois gerentes, também foram beneficiados pelo pagamento de propina. Ainda conforme o MPF, o PT e Vaccarezza teriam recebido 500 mil dólares em propinas pelos contratos, 430 mil teriam ido apenas para o ex-deputado.

Segundo a PF, os agentes encontraram a quantia de 122 mil reais em espécie na casa do ex-deputado durante a prisão. “Já sabemos que ele não conseguiu justificar [a origem do valor]. No monitoramento da pessoa, identificou-se que ele está pagando despesas do partido, provavelmente com esse dinheiro”, disse o delegado da Filipe Hille Pace.

As investigações do Ministério Público sobre a relação de Vacarezza com o esquema começaram após a delação premiada de Costa. “Entre as provas que corroboraram o relato do colaborador estão, por exemplo, documentos que comprovam o pagamento de propinas mediante transferências bancárias no exterior, anotações de agendas e arquivos apreendidos em fases anteriores da Operação Lava Jato que descrevem a divisão de comissões resultantes do negócio dentre operadores, funcionários da Petrobras e políticos”, informa o MPF em nota.

“As evidências indicam ainda que sua atuação ocorreu no contexto do esquema político-partidário que drenou a Petrobras, agindo em nome do PT. Na divisão de valores das propinas, há documentos indicando seu direcionamento tanto para a ‘casa’ (funcionários da Petrobras) como para o PT”, acrescenta.

Lista de Fachin

O nome de Vaccarezza consta na lista de Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Segundo Marcelo Odebrecht e e outros delatores da empreiteira, Cândido Vaccarezza solicitou vantagens à construtora para atuar em prol da aprovação da aquisição de uma torre comercial e de um shopping center no empreendimento “Parque da Cidade”, em São Paulo.

Segundo os delatores, firmou-se um ajuste, com a participação do ex-ministro petista Guido Mantega, para a liberação de um crédito de 27 milhões de reais em benefício do legenda, caso o negócio fosse concretizado. Do total, 5 milhões seriam destinados a Vaccarezza e Carlos Zarattini, outro deputado petista. À época, Vaccarezza afirmou ser “ficha limpa” e que não responde a nenhum inquérito na Operação Lava Jato.

Rejeição no PT

Na Câmara dos Deputados, Vaccarezza foi líder dos governos Lula e Dilma, mas pediu sua desfiliação do PT no ano passado. Muito antes disso, ainda em 2013, Vaccarezza já sofria rejeição dentro do partido, quando provocou descontentamentos na militância petista – e mesmo entre os dirigentes de sua corrente política interna – por posicionamentos que contrariam diretrizes partidárias e são considerados “conservadores” ou de “direita”.

A Juventude do PT do Estado de São Paulo chegou a protocolar um pedido para expulsar do partido o então deputado. O pedido foi a público no dia em que Vaccarezza foi cercado por um grupo de índios que protestavam na Esplanada dos Ministérios e teve de abandonar seu carro para escapar da confusão.

Em 2010, quando tentava viabilizar sua candidatura à presidência da Câmara junto a setores conservadores, Vaccarezza deu uma entrevista às páginas amarelas da revista Veja em que pregou a reforma da CLT e atacou direitos trabalhistas. A CUT e o PT reagiram. E a bancada escolheu outro nome para disputar (e vencer) aquela eleição.

Prisões

Além do ex-deputado Cândido Vaccarezza, a PF prendeu o ex-gerente da Petrobras Márcio Albuquerque Aché Cordeiro e o operador financeiro Henry Hoyer de Carvalho. Outro ex-gerente da petrolífera Dalmo Monteiro Silva e Luiz Eduardo Loureiro Andrade, da empresa Sargeant Marine, também são alvos das operações desta sexta-feira, mas ainda não foram presos por estarem fora do país.

Um terceiro ex-gerente da Petrobras, Carlos Roberto Martins Barbosa, também teve prisão temporária decretada pela Justiça Federal. No entanto, o mandado não será cumprido porque está hospitalizado.

Os três presos estão sendo transportados para Curitiba. Segundo a PF, Vaccarezza deve chegar à capital paranaense por volta das 15h. Os outros dois presos chegarão após as 22h.

 

Com Carta Capital

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