EM QUATRO ANOS, 40% DOS DEPUTADOS ESTADUAIS E FEDERAIS DO PARANÁ TROCARAM DE PARTIDO

Fidelidade partidária, ao que tudo indica, não é uma preocupação dos deputados pelo Paraná que hoje ocupam cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Entre os 84 deputados estaduais e federais, 34 (o equivalente a 40,5% do total) trocaram pelo menos uma vez de legenda desde as últimas eleições, em 2014. sendo que seis deles passaram por três partidos nesses últimos quatro anos.

A Assembleia foi o órgão legislativo que registrou o maior percentual de parlamentares trocando de legenda. Dos 54 deputados estaduais, 24 (44,4%) já deixaram o partido pelo qual foram eleitos em 2014. Ou seja, quase metade dos parlamentares eleitos há quatro anos terminarão o mandato em legendas diferentes das quais foram eleitos.

Aproveitando-se das janelas partidárias – um período de 30 dias que ocorre sete meses antes de uma eleição no qual os políticos podem trocar de partido sem o risco de perderem seus mandados – , inclusive, dois dos deputados estaduais passaram por três partidos nesses quatro anos: o Missionário Ricardo Arruda (que trocou o PSC pelo PEN em 2016 e neste ano filiou-se ao PSL, seu partido atual e pelo qual disputará a reeleição) e Gilberto Ribeiro (que permaneceu no PSB até 2016, quando foi para o PRP, e neste ano se filiou ao PP).

Já na Câmara, o percentual de parlamentares “infiéis” até foi menor, com 10 dos 30 parlamentares (33,3% do total) trocando de legenda. Por outro lado, o número de deputados que trocaram duas ou mais vezes de partido foi maior, com quatro nomes: Alfredo Kaefer (PSDB, PSL e PP), Aliel Machado (PCdoB, REDE e PSB), Assis do Couto (PT, PMB e PDT) e Toninho Wanscheer (PT, PMB e PROS).

Debandada

Na Assembleia, curiosamente, os partidos que mais perderam deputados de seus quadros foram aqueles que no início da atual legislatura contavam com as maiores bancadas da Casa: o PSC e o PMDB (hoje MDB).

A primeira legenda, por exemplo, conseguiu ocupar 12 das 54 cadeiras (22,2% do total) nas eleições de 2014, muito por conta do sucesso de Ratinho Junior nas urnas – o hoje candidato a governador foi o deputado estadual mais votado da história do Paraná, com 300.928 votos.

Em 2016, contudo, o herdeiro da família Massa mudou de partido e filiou-se ao PSD a convite de Gilberto Kassab, tendo a garantia de que disputaria o Palácio Iguaçu na próxima eleição. A bancada do PSC, então, caiu pela metade (de 12 para seis deputados), enquanto a da atual legenda que abriga Ratinho Junior quase quadruplicou, passando de três deputados em 2014 para 11 atualmente (ganhou seis nomes oriundos do PSC, dois do PSDB e outro do PMDB, além de ter perdido um parlamentar para o PP).

Fuga

MDB de Requião também ‘encolheu’

Já a debandada de parlamentares do MDB na Assembleia Legislativa, que em 2014 elegeu oito deputados e hoje conta com apenas três parlamentares, está relacionada a conflitos internos. Presidente do partido no Paraná, o senador e candidato à reeleição, Roberto Requião fez aprovar, no início de 2016, uma resolução que permitia expulsar quem aderisse ao governo Beto Richa.

O alvo principal do governador era Luiz Cláudio Romanelli, líder do governo na Assembleia. Mas outros três nomes (Alexandre Curi, Artagão Júnior e Jonas Guimarães) também se insurgiram e abandonaram a sigla, se filiando ao partido do ex-prefeito de Curitiba e deputado federal Luciano Ducci, o PSB – que foi o segundo partido que mais ganhou parlamentares na Casa nos últimos quatro anos. Mais recentemente, foi vez de Ademir Bier engrossar a lista de dissidentes do MDB após abandonar o partido e filiar-se ao PSD para endossar a candidatura de Ratinho Junior ao governo estadual.

Câmara

PT perde força e “Centrão” infla

Na Câmara dos Deputados, o partido que mais perdeu parlamentares foi o PT. Desde que os escândalos de corrupção envolvendo o governo do Partido dos Trabalhadores começaram a pipocar com o aprofundamento das investigações da Operação Lava Jato, metade dos parlamentares eleitos deixaram o partido: Assis do Couto (eleito pelo PT, filiou-se em 2016 ao PMB e neste passou a integrar os quadros do PDT) e Toninho Wandscheer (que também mudou-se inicialmente para o PMB, mas hoje já está filiado ao PROS).

Por outro lado, dois partidos do chamado “centrão” foram os que mais angariaram novos parlamentares: o PSD e o PP, que conseguiram dobrar o tamanho de suas bancadas (de dois deputados federais para quatro). No caso do partido de Ricardo Barros e da governadora Cida Borthetti, os parlamentares “ganhos” foram dois nomes de partidos tradicionais: Alfredo Kaefer (ex-PSDB) e Osmar Serraglio (ex-MDB). Já no caso do partido de Ratinho Junior, os nomes angariados foram Edmar Arruda (ex-PSC) e Sandro Alex (ex-PPS).

(Com Bem Paraná)

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