‘Efeito FGTS’ salva PIB de Michel Temer e Henrique Meirelles

Prestes a ser denunciado de novo à Justiçacomo criminoso, o presidente Michel Temer festejou da China o avanço de 0,2% do PIB como prova da recuperação da economia. Em uma fase tensa nas relações com o Congresso, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, comemorou em Brasília: “Entraremos em 2018 num ritmo forte”.

Diante dos apuros da dupla, entende-se a ânsia de apontar a retomada econômica e de proclamar que esta veio para ficar. Mas a realidade talvez não seja para tanto. O resultado do PIB no segundo trimestre pode ter sido um soluço. Uma dúvida existente graças a um dado divulgado pelo próprio governo.

Em 9 de agosto, o ministério do Planejamento divulgou um balanço dos saques feitos pelas pessoas que tinham dinheiro de FGTS em contas inativas. A retirada total foi de 44 bilhões de reais. Com essa injeção financeira na economia, o Planejamento calculava um empurrão no PIB de 0,6% este ano, supondo-se que os sacadores gastariam a grana em vez de poupá-la.

A liberação do Fundo de Garantia foi anunciada em dezembro de 2016, mas o grosso dos saques ocorreu exatamente no segundo trimestre de 2017, o que registrou alta de 0,2% do PIB. O primeiro dos cinco lotes saiu em março, os três seguintes em abril, maio e junho e o último, em julho.

A entrada do fundo em cena ajuda a entender por que o consumo subiu do primeiro para o segundo trimestre após nove quedas seguidas. Foi o consumo, refletido na expansão do comércio e do setor serviços, o responsável pelo avanço de 0,2%, segundo o IBGE, o calculador oficial do PIB.

Diante do “efeito FGTS”, “é cedo para falar em recuperação obviamente”, na visão do economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. Em outras palavras, não está claro qual é o estado de funcionamento da economia, o que houve no trimestre passado pode ter sido só um espasmo.

Os números do mercado de trabalho sugerem que de fato a situação econômica tem melhorado, outra explicação para o aumento do consumo no segundo trimestre, mas não que se saiba ao certo qual é a força dessa melhora.

Após atingir um pico de 13,7% em março, fim do primeiro trimestre, o desemprego caiu para 13% em junho, fim do seguinte, e em julho baixou de novo (12,8%), de acordo o IBGE.

Duas excepcionalidades do tipo “efeito IBGE” já tinham ajudado o governo no primeiro trimestre. Uma foi uma super e histórica safra agrícola. A outra, uma esquisita revisão metodológica feita pelo IBGE na forma de calcular o desempenho de comércio e serviços.

Graças a isso, a economia cresceu 1% do último trimestre de 2016 para o primeiro deste ano, fato a  interromper oito queda seguidas.

Apesar de todas essas excepcionalidades de 2017, o PIB ficou estagnado (crescimento zero) no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período de 2016.

Com Carta Capital

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