DÓLAR PEGA FOGO COM ACIRRAMENTO DAS TENSÕES ENTRE CHINA E EUA

(FILES) In this file photo illustration taken on August 29, 2017, twenty and five dollar bills are displayed in San Anselmo, California. - US authorities on August 22, 2019 announced charges against 80 people, most of them Nigerians, in a wide-ranging fraud and money laundering operation that netted millions of dollars from victims of internet con jobs.Federal prosecutors unsealed the dozens of indictments after 17 people were arrested and taken into custody in Los Angeles and elsewhere in the United States. (Photo by JUSTIN SULLIVAN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)

O dólar está pegando fogo, puxado por fatores externos: o acirramento da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos e o descolamento entre o que o Fed (o BC norte-americano) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pensam sobre os rumos da maior economia mundial

O resultado é que nesta semana, a moeda americana fechou cotada a R$ 4,125, o maior valor de fechamento desde 19 de setembro, em meio à campanha eleitoral. Ao longo do dia, a moeda norte-americana chegou a ser vendida a R$ 4,1345. Nos últimos 30 dias, o dólar teve uma valorização de 10,3%.

O mau desempenho do real foi acompanhado pela Bolsa de Valores. O Ibovespa, o índice referencial, caiu pelo segundo dia seguido (-2,34%), fechando o dia a 97.667 pontos, o menor nível de fechamento desde 17 de junho.

Tensões devem continuar

E esse cenário deve continuar nos próximos dias, apontam analistas ouvidos pela Gazeta do Povo. “Passado o nervosismo decorrente da tramitação da reforma da Previdência, o mercado está olhando para o exterior”, diz Felipe Pellegrini, gerente de tesouraria da Travelex Confidence.

Segundo Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, um fator que está contribuindo para o acirramento das tensões é a postura da China, que está indo para o enfrentamento com os Estados Unidos.

Os analistas apontam que isto reforça o cenário de aversão ao risco por parte dos investidores, que deixam de lado is ativos de maior risco – como investimentos em países emergentes – e se concentrem naqueles de maior segurança, como ouro, dólar e os Treasuries, os títulos do Tesouro norte-americano.

Mais sanções à China

Laatus aponta que esta sexta tinha tudo para ser um dia calmo nos mercados. A faísca que acendeu as tensões foi a decisão da China em estabelecer tarifas de retaliação sobre US$ 75 bilhões em produtos norte-americanos e o restabelecimento de impostos sobre produtos automotivos, soja e petróleo. As tarifas vão de 5% a 25% e serão implementadas em 1° de setembro e 15 de dezembro.

A resposta de Trump veio no início da noite, após o fechamento do mercado no Brasil, o que indica que as tensões devem prosseguir nos próximos dias.

O presidente americano anunciou, por meio de sua conta no Twitter, que elevará de 25% para 30% as tarifas sobre US$ 250 bilhões em produtos chineses a partir de 1° de outubro. E os US$ 300 bilhões que seriam tarifados em 10% a partir de 1° de setembro, sofrerão uma tarifa maior, de 15%.

Trump endureceu ainda mais sua postura em relação à China. Ele pediu que companhias americanas cortem seus laços com o país asiático, deixando de produzir por lá e colocando as fábricas em outros países e nos Estados Unidos.]

Mais um alvo da ira de Trump

Mas não foi só a China que foi alvo da ira de Donald Trump. Outro alvo foi o presidente do Fed, Jeremy Powell. O presidente reclamou da falta de flexibilização da política monetária americana, o que representaria uma ameaça para os trabalhadores e as empresas estadunidenses. “Minha pergunta é: quem é nosso maior inimigo, Powell ou o presidente Xi (Jinping, da China)”, tuitou.

Isto, segundo Pellegrini, reforça a incerteza de que os Estados Unidos vão continuar baixando a taxa básica de juro da economia, apesar de Powell ter sinalizado que está atento a uma desaceleração da economia americana.

Fatores internos pesaram negativamente

Fatores internos também contribuíram para a perda do valor da moeda brasileira frente à americana nesta sexta e a queda na Bolsa.

Os analistas citam os incêndios na Amazônia; a 64ª etapa da Lava Jato, que mirou no banco BTG Pactual e os resultados aquém do esperado na criação de empregos, como aspectos que contribuíram para essa situação. “A economia brasileira está fraca. Não dá sinais de reação”, diz Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

(Com Gazeta do Povo)

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