DÍVIDA EXTERNA ARGENTINA SOBE 35% DESDE A CHEGADA DE MACRI

Ao assumir, presidente aproveitou confiança de investidores estrangeiros para combater déficit fiscal e aumentou o endividamento do país

A Argentina se endivida. A confiança dos mercados internacionais abriu outra vez as portas para o crédito, e o presidente Mauricio Macri fez uso dele. Os dados oficiais chegam até junho passado e marcam um aumento de 20 pontos na dívida, que atinge 307,295 bilhões de dólares (cerca de um trilhão de reais), equivalentes a 56% do PIB. É preciso recorrer às consultorias privadas para obter a cifra de dezembro: 342 bilhões de dólares (1,13 trilhão de reais), 35% a mais do que dois anos atrás. O Observatório Fiscal Federal estima que a relação dívida/PIB já é de 60%. A dívida sobe, mas o consenso geral é que ela ainda é sustentável. As discrepâncias surgem com respeito ao longo prazo, sobretudo porque a verdadeira batalha é contra o déficit fiscal, a origem das necessidades de dinheiro fresco.

Na última semana de 2017, a equipe econômica anunciou um aumento de cinco pontos nas metas de inflação até 2020. Neste ano que começa, a alta dos preços será de 15%, segundo os planos oficiais. Ao mesmo tempo, o ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, ratificou que serão mantidas as projeções de redução do déficit fiscal. O ano passado fechou com uma diferença equivalente a 4,2% do PIB. O objetivo é que diminua em 2018 até 3,2%, alcançando 1,2% do PIB em 2020. A luta contra o déficit é parte de um acordo fiscal que a Casa Rosada selou com as províncias, cujos governadores se comprometeram a cumprir com sua parte nos cortes. Enquanto isso, o Governo teve de pedir emprestado a investidores estrangeiros, após anos de mercados fechados às políticas kirchneristas.

A chegada de Macri foi um verdadeiro “choque de confiança”, e os bônus da dívida argentina são agora mais desejados. Para conseguir financiamento, Macri escalou Luis Caputo. O ministro das Finanças negou que a relação dívida/PIB atual seja perigosa para a economia argentina, situando-a em torno de 28,5% se não forem considerados os juros. “É um índice baixo em comparação com o de países desenvolvidos e da região. Como dissemos muitas vezes, este endividamento é transitório e perfeitamente sustentável. [A relação] se estabilizará em níveis próximos de 37% e diminuirá a partir de 2021”, disse Caputo.

(Com EL PAÍS)

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