De volta ao velho estilo Al Qaeda

Cerca de meia hora antes de ser morto por forças de segurança catalãs, Younes A., tido como o autor do ataque de Barcelona, ​​procurou obter ajuda de novo. Em Subirats, um vilarejo 50 quilômetros a oeste da capital catalã, ele se ​​aproximou dos fundos de uma casa e assobiou suavemente.

O dono ouviu o ruído, olhou pela janela e viu o jovem. Ele, aparentemente, esperava outra pessoa na casa – uma família marroquina que morava lá, mas se mudara há algum tempo. O novo proprietário achou estranho, informou um vizinho, que ligou para a polícia. Pouco depois, vários carros da polícia estavam no local. Younes foi baleado na perseguição perto de Subirats.

O fato de o jovem terrorista aparentemente ter tentado pedir ajuda a amigos distantes sugere que os 12 membros da célula terrorista de Barcelona não tinham vínculos significativos com outras conexões jihadistas.

Por outro lado, ainda não há informações sobre onde o terrorista passou os quatro dias após o atropelamento em massa. O fato de ele não estar carregando dinheiro com ele, de acordo com a polícia, sugere que ele poderia sido ajudado por outras pessoas.

No momento, parece que a célula estava isolada. Os jovens foram radicalizados sobretudo por Abdelbaki es-Satty, imã de Ripolls, uma pequena cidade ao pé dos Pireneus, onde viviam quase todos os suspeitos, de idades entre 17 e 20 anos. Satty morreu na explosão em Alcanar, onde se fabricava bombas para usar em futuros atentados.

Os parentes dos suspeitos e os familiares que moram em Ripolls se mostraram surpresos com o atentado. Para alguns, o imã parecia suspeito – mas ninguém o havia denunciado à polícia.

“Eu não acreditava que iriam tão longe”, disse uma testemunha do círculo de conhecidos dos terroristas. “Ninguém poderia imaginar aqui que os jovens pudessem fazer algo assim.”

Barcelona, centro do jihadismo

Tudo leva a crer que os jovens não tinham outras conexões com o meio jihadista, a não ser com o imã Abdelbaki es-Satty. “Ele tinha o cuidado de não transmitir mensagens radicais em seus sermões”, disseram policiais ao El País. E também quase não usava a internet. “Ele voltou ao velho estilo Al Qaeda. Falava pessoalmente com os jovens, se encontrava com eles em automóveis ou em salas fechadas”, disse o policial ao jornal espanhol, sob condição de anonimato.

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O próprio imã provavelmente se radicalizou na prisão. Ele passou pela carreira típica do criminoso que se torna um radical islâmico. De 2010 a 2014, esteve preso na penitenciária de Castellón, na região de Valência, de onde saiu como um muçulmano estritamente religioso. Em janeiro de 2016, viajou para a cidade belga de Vilvoorde, onde se candidatou a um posto de imã.

Barcelona é um dos centros do jihadismo na Espanha. Desde 2004, 723 jihadistas foram presos em todo o país. Entre 2012 e 2015, 26 congressos de inspiração islâmica e jihadista foram realizados em torno da capital catalã, escreve o jornalista Ignacio Cembrero em seu livro La España de Alá.

O maior congresso até o momento ocorreu na cidade de Reus em 2014, do qual participaram cerca de 3 mil pessoas. A maioria dos participantes era da Espanha, mas também muitos do mundo árabe. Em congressos como este são formadas as redes pessoais de conhecimento às quais os jihadistas podem recorrer mais tarde.

Essas redes também serviram aos jihadistas que promoveram os ataques à casa de shows Bataclan, de Paris, em novembro de 2014, e aos cafés adjacentes, e cujos contatos chegavam até a Bélgica. Alguns dos terroristas moravam tanto na França como na Bélgica. A partir dessas redes de conhecidos, surgiam novas conexões.

Ao mesmo tempo, a pressão sobre o monitoramento digital cresce. É por isso que os terroristas e seus propagandistas apostam agora, como no caso do imã Abdelbaki es-Satty, em contatos pessoais.

Os propagandistas da organização terrorista “Estado islâmico” (EI) já passaram a adotar essa tática, apelando para que seus simpatizantes planejem atentados de menor escala – usando carros, caminhões, facas – que tornam desnecessária uma grande rede de contatos. Quanto menor o círculo de contatos, menor é a chance de os membros do grupo serem descobertos.

 

Com DW

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