CIDA BORGHETTI, A NOVA E PRIMEIRA GOVERNADORA DO PARANÁ

Agora ocupante do posto político mais importante do estado, ela moverá mundos e fundos para tentar se reeleger e permanecer à frente do Palácio Iguaçu por mais quatro anos

Desde as 11 horas dE sexta-feira (6) passada, o Paraná é governado por uma mulher pela primeira vez na história de forma definitiva. Cida Borghetti (PP) assumiu o posto no lugar de Beto Richa (PSDB), que renunciou ao mandato para ser candidato ao Senado. Daqui até outubro, ela moverá mundos e fundos para tentar se reeleger e permanecer à frente do Palácio Iguaçu por mais quatro anos. Para isso, terá como mentor e braço direito o marido, o deputado federal Ricardo Barros (PP).

Agora ocupante do posto político mais importante do estado, a própria Cida reconhece que é uma ilustre desconhecida dos paranaenses. Segundo levantamentos internos da equipe da nova governadora, apenas 30% da população sabe quem ela é. E exatamente aí reside uma das principais apostas para fazer dela a vencedora no pleito de outubro: mostrar serviço, ser bem vista como gestora e, em consequência, colher frutos na forma de votos. Acredita-se que o apelo de ser mulher também pode ajudar.

Para transformar a teoria em prática, no entanto, ela precisará vencer uma série de obstáculos. A começar pela inexperiência no Executivo. Apesar de ter sido vice de Richa por mais de três anos – um papel mais decorativo e secundário −, Cida fez quase toda a carreira política no Legislativo. Deputada estadual por dois mandatos (2003-2010) e federal por um (2011-2014), ela atuou em causas muito específicas, relativamente distante de debates sobre orçamento ou gestão da máquina. Teve como principais bandeiras, por exemplo, a criação do Dia Contra o Câncer de Mama no Paraná e o comando dos trabalhos na Câmara Federal do Marco Legal da Primeira Infância.

Outra dificuldade da nova governadora é a ligação com Richa, que provavelmente será candidato a senador na chapa dela. Ao longo do segundo mandato, o tucano conviveu com escândalos de corrupção e sofreu um pesado desgaste por medidas impopulares, na forma de aumento de impostos e arrocho aos servidores. Cida, porém, tem o discurso pronto para se defender: o ajuste fiscal garantiu aumento dos investimentos, salários do funcionalismo em dia e equilíbrio das contas estaduais.

Para contornar esses e qualquer outro problema que surgir, ela terá ao lado Ricardo Barros. Talvez o mais habilidoso político paranaense da atualidade, o ex-ministro da Saúde conseguiu transformar a esposa em governadora numa jogada minuciosamente articulada em 2014, ao emplacá-la como vice na chapa de Richa numa disputa com vários outros nomes. Agora, com o governo nas mãos e uma boa dose de pressão, já garantiu o apoio de mais de 10 partidos à candidatura de Cida com a ameaça aos aliados de perda de espaço e cargos no Executivo.

Perfil

Nome: Maria Aparecida Borghetti

Partido: PP

Idade: 53 anos

Local de nascimento: Caçador (SC)

Profissão: Empresária

Formação: Administração Pública pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), com especialização em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Vida pública: Presidente voluntária do Provopar em Maringá (1990-1992); Chefe do Escritório de Representação do Paraná em Brasília (1998-2000, governo Lerner); deputada estadual (2003-2010); deputada federal (2011-2014); e vice-governadora do Paraná (2015-abril/2018)

Família: Mulher do deputado federal e ex-ministro da Saúde Ricardo Barros (PP) e mãe da deputada estadual Maria Victoria (PP).

“A carreira política dela foi um projeto do grupo, do Ricardo, que vem de uma família tradicional política. Se você é casada com um político, está num clã político, de tradição e herança políticas, você segue essa vertente”, definiu o colunista social Nemecio Müller. Ele é amigo próximo de Cida há mais 30 anos e ocupante de um cargo de assessor no governo.

Questionada à época sobre a influência do marido, a nova governadora minimizou o assunto e preferiu rasgar elogios a ele. “Nunca recebi uma orientação ou solicitação do Ricardo, que é nosso líder, talvez uma das pessoas mais preparadas desse país, brilhante, inteligentíssimo.” Para a eleição, a sintonia entre os dois pode ser um trunfo importante. Enquanto ele é tido como um articulador nato, mas pouco dado a conversas e de perfil truculento, ela é descrita como uma pessoa simpática, agradável, afável e sociável.

A respeito de si próprio, Ricardo se avalia como um sobrevivente, que sabe o momento de avançar e recuar. Detentor de mandatos eletivos desde 1989, ele revelou o segredo: “nossa palavra é o nosso patrimônio. Tudo o que combinamos, cumprimos”. Em outubro, o Paraná decidirá se ele vai conseguir cumprir a promessa de fazer da esposa a governadora reeleita.

 

(Com Gazeta do Povo)

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