CHEFE DA IGREJA CHILENA SOBRE TRANSEXUAIS: “SE UM GATO TIVER NOME DE CACHORRO, NÃO PASSARÁ A SER UM CACHORRO”

Em pleno debate sobre o projeto de lei sobre identidade de gênero no Congresso chileno, o arcebispo de Santiago, Ricardo Ezzati, fez uma comparação infeliz que provocou críticas de todos os setores. “É preciso ir além do nominalismo, é preciso ir à realidade das coisas. Não é porque eu ponho um nome de cachorro em um gato que ele passa a ser cachorro”, assinalou Ezzati na sexta-feira, por ocasião da abertura do ano acadêmico da Pontifícia Universidade Católica do Chile.

“Ezzati ultrapassou mais uma vez o limite daquilo que é tolerável”, afirmou o líder do Movimento de Integração e Libertação Homossexual (Movih), Rolando Jiménez.

Até o presidente Sebastián Piñera se referiu às palavras do chefe da Igreja local: “Quando se trata de identidade de gênero, o respeito, a dignidade e o bom vocabulário são essenciais.”, afirmou no sábado o chefe de Estado. Piñera integra a coalizão direitista Chile Vamos, que não tem uma posição única sobre o projeto de lei. Os governistas estão divididos principalmente em relação a um ponto: a inclusão de menores com idades entre 14 e 18 anos e os procedimentos ligados a essa tramitação.

O Chile é um país onde a Igreja católica enfrenta uma séria crise. Embora na ditadura ela tenha tido um papel central na defesa dos direitos humanos e na proteção dos perseguidos, dos anos noventa em diante começou a perder fiéis. Por ocasião da visita do papa Francisco ao Chile em janeiro — considerada a mais conflituosa de seu pontificado, por sua posição a respeito de casos de abuso sexual —, o influente jesuíta Felipe Berríos assinalou que a Igreja católica chilena estava “fechada e entrincheirada em uma doutrina que as pessoas não entendem”. Segundo a pesquisa regional Latinobarômetro, enquanto num país próximo, o Paraguai, 89% dos cidadãos se declaram católicos (80% no México e 73% na Colômbia e no Peru), no Chile esse índice cai para 44%. Nada menos que 38% dos chilenos assinalam que não têm nenhuma religião, um recorde regional em ateísmo, que é o dobro da média.

Apesar dessa situação, a Igreja não pediu oficialmente desculpas. Em um comunicado, o Arcebispado de Santiago lamentou que “o uso de uma alegoria” por parte de Ezzati tenha sido interpretado como uma ofensa. Nesta segunda-feira, uma comissão mista de senadores e deputados começará a discutir no Congresso a última etapa do projeto de lei.

 

(Com EMOL)

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