BOLSA SOBE 1,63% COM PETROBRAS, VALE E BANCOS; DÓLAR RECUA A R$ 3,24

O humor dos investidores melhorou nesta quarta-feira (3) com a recuperação dos preços do petróleo. Após cinco pregões de baixa, a commodity voltou a subir, reagindo à queda nos estoques americanos de gasolina na semana passada acima do esperado.

O Ibovespa, que caiu nas duas sessões anteriores, fechou no campo positivo, impulsionado principalmente pelos papéis de Vale, Petrobras e bancos. O dólar recuou ante o real, para a casa dos R$ 3,24.

No campo doméstico, o mercado se animou com declarações do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de que os sinais de recuperação da economia reduzem a necessidade de aumento de tributos para cobrir o déficit público.

Os investidores também reagiram positivamente à possível aceleração do julgamento da presidente afastada Dilma Rousseff no processo de impeachment no Senado é vista como positiva pelo mercado.

Analistas ponderam, porém, que houve desconforto depois que o governo Temer desistiu de impor um novo limite para gastos com pessoal nos Estados na renegociação das dívidas estaduais.

BOLSA

O Ibovespa fechou em alta de 1,63%, a 57.076,91 pontos. O giro financeiro foi de R$ 7,2 bilhões

As ações da Petrobras subiram 4,75%, a R$ 11,90 (PN), e 4,47%, a R$ 13,55 (ON).

Depois de recuar nas cinco sessões anteriores, por causa do excesso de oferta global, o petróleo Brent, negociado em Londres, subia 3,71%, a US$ 43,35 barril; o petróleo tipo WTI, negociado em Nova York, avançava 4,02%, a US$ 41,10 o barril.

O governo americano divulgou nesta quarta-feira que os estoques de gasolina recuaram 3,26 milhões de barris na semana passada, ante previsões para um declínio de 200 mil barris.

Também contribuiu para o avanço dos papéis da Petrobras o fato de a Corte Federal de Apelações do Segundo Circuito, dos Estados Unidos, ter determinado a suspensão da ação coletiva e das ações individuais por perdas relacionadas à Operação Lava Jato.

A decisão responde a recurso da companhia, que questiona as definições de classe de acionistas determinadas pelo juiz de primeira instância, Jed Rakoff. Os investidores pedem ressarcimento pela perda de valor das ações após a descoberta do esquema de corrupção na estatal.

Os papéis da Vale ganharam 5,52%, a R$ 15,47, e 4,61%, a R$ 18,82 (ON). “Apesar do preço do minério de ferro estável, as ações da mineradora foram impulsionadas pela bem-sucedida captação externa de US$ 1 bilhão”, destacam analistas da Guide Investimentos, em relatório. A captação foi realizada nesta quarta-feira, e a demanda pelo bônus 2026 da Vale teria superado US$ 3 bilhões.

No setor financeiro, Itaú Unibanco PN avançou 4,16%, ainda reagindo ao balanço do segundo trimestre, cujos números agradaram aos investidores. Bradesco PN subiu 2,31%; Bradesco ON, +0,86%; Banco do Brasil ON, +1,58%; Santander unit, +1,44%; e BM&FBovespa ON, +0,38%.

Entre as siderúrgicas, Usiminas PNA ganhou 9,70%; CSN ON, +5,68%; Gerdau PN, +3,56%; e Gerdau Metalúrgica, +7,52%.

CÂMBIO E JUROS

O dólar à vista fechou em baixa de 0,46%, a R$ 3,2476, enquanto o dólar comercial recuou 0,76%, a R$ 3,2420.

O dólar iniciou a sessão em alta, repercutindo dados do instituto ADP, que mostrou criação de empregos no setor privado em julho maior que a esperada por analistas. O dado da ADP é considerado uma prévia do “payroll” —dados oficiais sobre o emprego nos Estados Unidos—, que sai nesta sexta-feira (5).

Entretanto, com o avanço de cerca de 4% do petróleo, a moeda americana perdeu força ante o real.

Para Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H.Commcor, o principal fator de valorização do real nesta sessão foi a recuperação dos preços do petróleo. Mas as declarações do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de que pode não haver aumento de impostos colaboraram para aumentar o ânimo dos investidores.

“A declaração de Meirelles foi importante porque reforçou seu compromisso com a meta fiscal”, afirma Alessie. “Mas, se o petróleo não estivesse em alta, o dólar não iria cair”, acrescenta.

Segundo o profissional, a valorização do real nesta quarta-feira pode ter sido pontual, já que na sexta-feira (5) saem os dados oficiais de emprego em julho nos Estados Unidos. Se os dados vierem fortes, poderão elevar as apostas de alta dos juros americanos ainda neste ano, o que deve impulsionar a moeda americana.

No mercado de juros futuros, as taxas subiram, refletindo as incertezas em relação ao ajuste fiscal do governo. O contrato de DI para janeiro de 2017 subiu de 13,980% para 13,990%; o contrato de DI para janeiro de 2018 avançou de 12,820% para 12,830%; o DI para janeiro de 2021 passou de 12,050% para 12,080%.

Entretanto, o CDS (credit default swap) brasileiro de cinco anos, espécie de seguro contra calote e indicador de percepção de risco, caía 2,28%, aos 285,807 pontos.

EXTERIOR

Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones encerrou o pregão em alta de 0,31%; o S&P 500, +0,23%; e o Nasdaq, +0,43%, impulsionado pelos papéis do setor de energia, na esteira da recuperação do petróleo.

Na Europa, a Bolsa de Londres fechou em queda de 0,17%; Paris, -0,16%; Frankfurt, +0,26%; Madri, -0,17%; e Milão, +0,20%.

Na Ásia, as Bolsas chinesas tiveram leve alta, impulsionadas pela expectativa de reformas em estatais. O restante da região recuou. O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio perdeu 1,88%, reagindo ao pacote de estímulos do governo japonês abaixo das expectativas dos investidores. O iene se fortalece mais uma vez frente ao dólar.

Com Folha

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