As oportunidades comerciais criadas pelo Brexit para o Brasil e a América Latina

Em junho do ano passado, quando um plebiscito determinou a saída do Reino Unido da União Europeia – o processo conhecido como Brexit -, alguns líderes latino-americanos, como o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, expressaram preocupação diante da necessidade de renegociar tratados comerciais com Londres.

Porém, em meio à incerteza gerada pelo lento processo, há quem veja o Brexit trazendo mais oportunidades do que dores de cabeça para as nações da região – em especial empresas que podem se beneficiar de uma aproximação maior com o Reino Unido.

“O Brexit oferece uma oportunidade imperdível de renovar os laços comerciais entre Reino Unido e América Latina”, disse à BBC Mundo (o serviço em espanhol da BBC) a economista uruguaia Gabriela Castro-Fontoura.

Diretora da Sunny Sky Solutions, consultoria especializada em assessorar firmas britânicas em busca de negócios na América Latina, Castro-Fontoura acredita que o Brexit oferece desafios, mas pode aproximar esses países “de um mercado comprador de bens e serviços”.

Mercado reduzido

Ainda que a União Europeia seja um mercado crucial para muitos países latino-americanos, o comércio com o Reino Unido é mais reduzido. Um exemplo é o Brasil: apesar de ser o maior exportador regional para os britânicos, o volume negociado corresponde a apenas 2% das exportações totais brasileiras.

Entre as grandes economias latino-americanas, a Colômbia é a mais dependente das compras britânicas, mas mesmo assim o total de suas exportações com destino a Londres e adjacências é de apenas 2,5%, a maior parte delas carvão.

E um volume que, em 2015, foi de apenas US$ 800 milhões.

“Tanto o Brasil como outros países sul-americanos sempre tiveram os EUA com um parceiro lógico por questões geográficas e culturais. Ao mesmo tempo, o Reino Unido se fiou nos vizinhos europeus. Os dois lados agora podem explorar novas oportunidades. Especialmente quando o presidente americano, Donald Trump, adota uma linha protecionista e de restrição de importações”, analisa o economista americano Herman Santiago, sócio da Nabas International Lawyers, consultoria com sede em Londres e que há mais de 10 anos trabalha com empresas britânicas buscando investimentos no Brasil.

O governo britânico espera aumentar os laços comerciais com a América Latina, algo expressado pelo envio recente de missões comerciais à região. E os defensores do Brexit argumentam que, sem os entraves impostos pela negociação coletiva dos países da UE, o Reino Unido poderá desenvolver novas relações comerciais, incluindo tratados de livre comércio.

“Países com mais abertura comercial, como Chile, Colômbia, Peru e México, terão vantagens em tratados comerciais com o Reino Unido”, explica Castro-Fontoura.

No caso do Brasil, isso seria mais preocupante diante do fato de que o país tem uma das economia mais restritas da região – no mais recente Índice de Liberdade Econômica, um ranking anual publicado pelo jornal americano Wall Street Journal, o país apareceu apenas em 118º lugar entre os 178 analisados.

“O Brasil precisará mudar essa mentalidade se quiser se beneficiar do Brexit”, afirma Santiago.

Vantagens específicas

Pode-se dizer, talvez, que países latino-americanos tenham algumas vantagens pouco usuais em futuras negociações com Londres. Teriam do outro lado da mesa negociadores britânicos relativamente pressionados pela necessidade de restabelecer relações com dezenas de outras nações durante décadas guiadas pelos acordos da UE.

As maiores economias, como Brasil e México, poderiam aproveitar a urgência política britânica de mostrar resultados tangíveis em negociações comerciais – mais particularmente, a necessidade de convencer um eleitorado cada vez mais cético de que o Reino Unido tem novas oportunidades após seu divórcio da UE.

Investimentos

Outra questão crucial é a dos investimentos britânicos na América Latina, especialmente no setor de mineração. Na Colômbia, por exemplo, Londres é o segundo maior investidor no país, com cifras que chegaram a US$ 6 bilhões nos últimos oito anos, segundo dados da Embaixada Britânica em Bogotá.

De acordo com números mais recentes, os investimentos diretos britânicos no Brasil correspondem a apenas 3% dos US$ 64 bilhões que o país recebeu em 2015.

Mas no Peru, por exemplo os investimentos britânicos foram o maior entre todos os países (18%), segundo dados da agência governamental Proinversión.

“O intercâmbio de produtos e serviços entre o Reino Unido e a América Latina tem imenso potencial. E Londres está enfrentando seu maior desafio desde da Era Industrial”, diz Herman Santiago.

Mas há também preocupações: a libra esterlina tem desvalorizado desde o anúncio do Brexit, o que diminui o poder aquisitivo dos britânicos. Muitos economistas também advertem que a economia britânica crescerá mais devagar a partir da conclusão das neogiações do Brexit, prevista para 2019 – o que poderia reduzir o porencial de invesitmento de empresas britânicas.

História

No século 19, o Reino Unido foi a grande força comercial na América Latina e há quem veja no Bexit a possibilidade de o empreendedorismo britânicos será reanimado pela separação da UE.

O capital britânico financiou estradas de ferro na Argentina e no Brasil, bem como a indústria mineradora no México, por exemplo.

Com G1

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