ARGENTINA FAZ ACORDO COM FMI PARA ADIANTAR FUNDOS EM MEIO A TURBULÊNCIA FINANCEIRA, DIZ PRESIDENTE

Acordo firmado em junho previa liberação de recursos ao longo de três anos

A Argentina realizou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um adiantamento de fundos buscando superar a turbulenta situação que seus mercados financeiros enfrentam, disse o presidente Mauricio Macri nesta quarta-feira (29), segundo a agência Reuters.

“Fizemos um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para adiantar todos os fundos necessários para garantir o cumprimento do programa financeiro do próximo ano”, disse o presidente em uma mensagem televisionada.

“Esta decisão visa eliminar qualquer incerteza”, disse ele, no momento em que o peso se encontra em mínimas históricas e os ativos entram em colapso diariamente.

“Na última semana tivemos novas expressões de falta de confiança nos mercados, especificamente sobre nossa capacidade de conseguir financiamento para 2019”, admitiu Macri ao explicar as razões para o novo pedido ao FMI, segundo a AFP.

A volatilidade no mercado cambial provocou uma nova desvalorização do peso na terça-feira, a uma cotação de 32,07 por dólar, o que significa uma queda de 41,6% no decorrer do ano. Em junho, a economia do país registrou queda de 6,7%, o que levou a um acumulado de -0,6% no ano. Também foi o terceiro mês consecutivo de contração.

Simultaneamente, a inflação acumula 19,6% até julho e a projeção supera 30% no fim de 2018, o que aumenta a pressão dos sindicatos.

“Garantir o financiamento para 2019 vai nos permitir fortalecer a confiança e retomar o caminho do crescimento o mais rápido possível”, disse Macri.

O governo segue um rígido plano de ajuste para cumprir os compromissos com o FMI, que incluem uma meta de déficit fiscal de 2,7% do PIB em 2018 e de 1,3% em 2019. O déficit fiscal passou de 6% no fim de 2015 a 3,9% em 2017.

“Da nossa parte acompanharemos este apoio com os esforços fiscais necessários, trabalho em que estamos avançando muito bem”, disse Macri.

O governo adotou medidas de ajuste fiscal que incluem a redução do tamanho dos organismos de Estado, com demissões, congelamento de contratações e outras ações, além de cortes de subsídios às exportações e tarifas dos serviços públicos e eliminação de benefícios em impostos para o setor industrial.

Acordo

O governo argentino assinou um acordo com o FMI de US$ 50 bilhões em junho. A primeira parcela, de US$ 15 bilhões, foi liberada logo após a assinatura, enquanto os outros US$ 35 bilhões estavam previstos para ser liberados ao longo dos três anos de duração previstos para o acordo.

Na ocasião da assinatura, o FMI afirmou, em comunicado, que o acordo pretendia fortalecer a economia argentina e restaurar a confiança do mercado por meio de um sistema macroeconômico consistente que reduza a necessidade de financiamento e coloque a dívida do país em trajetória de queda.

Ainda de acordo com o órgão, o acordo objetiva reduzir a inflação ao estabelecer metas mais realistas e reforçar a independência do Banco Central do país. “O plano inclui passos para proteger a camada mais vulnerável da sociedade ao manter os gastos sociais, se as condições sociais piorarem, ao permitir mais gastos no sistema de seguridade argentino”, declarou o FMI.

Crise na Argentina

Pouco mais de dois anos depois de encerrar a disputa com os chamados “fundos abutres”, a Argentina se viu diante de um novo impasse financeiro. Com sua moeda despencando, o país subiu a taxa de juros ao maior patamar do mundo, consumiu boa parte de suas reservas em dólares, buscou ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) e agora tenta buscar a confiança de investidores para evitar uma nova corrida cambial.

O custo desse acúmulo de problemas acaba pesando diretamente no bolso dos argentinos. A expectativa é de disparada de inflação, superando as projeções iniciais. Além disso, o crescimento da economia do país neste ano deve ser menor que o previsto. O ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, admitiu que “a Argentina terá mais inflação e menos crescimento num curto prazo”.

A crise levou o governo argentino a pedir uma linha de crédito ao FMI, com juros mais baixos que captar dinheiro no mercado.

O pedido gerou controvérsia, já que o próprio ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, havia prometido que o país não faria mais dívidas com o FMI. Agora, ele diz que o objetivo é “reagir da melhor maneira para cuidar da Argentina e especialmente dos mais carentes”.

(Com G1)

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