Após vitória eleitoral, Shinzo Abe promete priorizar Coreia do Norte

Um dia após sair vitorioso das eleições legislativas do Japão, o primeiro-ministro Shinzo Abe prometeu nesta segunda-feira (23/10) enfrentar os dois principais problemas do país: a ameaça militar da Coreia do Norte e uma população que está envelhecendo e diminuindo.

Abe se comprometeu a proteger a prosperidade e a paz do povo japonês de qualquer risco. Ele também se referiu aos japoneses que foram sequestrados há alguns anos e que supostamente ainda estão em poder de autoridades norte-coreanas. “Adotarei uma diplomacia firme e forte nas questões dos mísseis, das armas nucleares e dos sequestros da Coreia do Norte e elevarei a pressão para que mude sua política”, disse o premiê.

O Partido Liberal Democrático, do primeiro-ministro, e um partido menor da sua coalizão de governo garantiram pelo menos 313 assentos no Parlamento, que tem 465 cadeiras, e superaram assim a barreira de dois terços por três cadeiras.

A vitória permite ao primeiro-ministro japonês iniciar o complexo processo de reforma da Constituição pacifista japonesa, uma medida controversa que ele defende com o objetivo de elevar as competências militares do Japão e que é vista com forte reticência por China e Coreia do Sul.

O premiê japonês disse que terá uma “profunda discussão” sobre políticas relativas à Coreia do Norte com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a planejada visita deste ao Japão e a mais quatro países asiáticos, no início de novembro. Trump parabenizou Abe pela vitória nas urnas.

Protestos contra medidas de Defesa de Shinzo Abe, em 2014Alterações propostas por Abe para a Defesa do Japão são controversas no país

Reação da Coreia do Norte

Já a Coreia do Norte, em reação ao resultado de Abe nas urnas, acusou o governo japonês de “impulsionar a militarização do país” e de preparar “uma nova invasão da península coreana”. Em comunicado distribuído pela agência estatal de notícias KCNA, o regime comandado por Kim Jong-un acusou Abe de justificar as eleições antecipadas com a necessidade de enfrentar a Coreia do Norte.

“Agora que está bem claro que todo o Japão apoia os preparativos para a reinvasão, com o apoio dos Estados Unidos, a República Popular Democrática da Coreia tem o direito de tomar duras medidas de autodefesa”, acrescenta o comunicado, lembrando que a Coreia do Norte “tem uma posição estratégica como potência nuclear”.

Prioridades do governo

Abe afirmou ainda que a redução e o envelhecimento da população japonesa são o maior desafio de sua política conhecida como “Abenomia”, que visa à recuperação da economia japonesa da deflação. Ele prometeu um pacote inclusivo até o final do ano, que deverá ajudar a lidar com os desafios demográficos do país asiático, incluindo investimentos em educação, melhorias na produtividade e no sistema de aposentadorias.

A vitória impulsiona as chances de Abe de conquistar mais um mandato de três anos à frente do Partido Liberal Democrático em setembro de 2018. Isso poderia estender seu mandato como primeiro-ministro até 2021, dando-lhe mais tempo para tentar obter o apoio de um público que reluta em aceitar seu objetivo de longo prazo de revisar a Constituição.

No curto prazo, a vitória significará a continuidade das políticas que Abe adotou desde que assumiu o governo, em dezembro de 2012:  linha dura com a Coreia do Norte, relação estreita com Washington – inclusive na Defesa –, afrouxamento da política monetária e impulso à energia nuclear.

A coalizão governista já tem maioria de dois terços na câmara alta, menos influente que a câmara baixa. A chamada supermaioria nas duas câmaras permite aprovar leis controversas, incluindo o sonho do premiê nacionalista de revisar a Constituição.

A vitória também aumenta as chances de Abe de alcançar esse objetivo, perseguido há anos pelo seu partido e pelos seus apoiadores. Eles veem a carta magna de 1947 como legado da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial e uma imposição dos valores e das ordens das nações vitoriosas. A Constituição japonesa renuncia ao uso da força em conflitos internacionais e limita os poderes das Forças Armadas à defesa do país, embora o Japão tenha um Exército moderno e bem equipado que trabalha estreitamente com os Estados Unidos.

Mudanças na Constituição japonesa, que nunca sofreu emendas, requerem a aprovação de dois terços do Parlamento e, em seguida, do “sim” num referendo. Segundo pesquisas de opinião, grande parte da população japonesa se opõe a alterações na carta magna.

Falta de alternativas

Os resultados das legislativas comprovaram a recuperação de Abe desde meados do ano, quando o apoio ao seu governo caíra para 30% após acusações de favorecimento do governo a pessoas ligadas ao primeiro-ministro. Pela primeira vez desde que assumiu o poder, Abe parecia vulnerável tanto como líder partidário quanto como primeiro-ministro.

A vitória da coalizão governista também mostra a falta de alternativas viáveis. A participação eleitoral foi de apenas 54%, num cenário em que chuvas torrenciais atingiram grande parte do país e atrasaram a divulgação dos resultados.

O plano de Abe de antecipar as eleições foi brevemente ofuscado pela criação de um novo partido de oposição pelo governador populista de Tóquio, Yuriko Koike. O entusiasmo inicial, no entanto, diminuiu – o Partido da Esperança conquistou apenas 49 assentos. Outro partido novo, o Partido Constitucional Democrático do Japão, ganhou 55 assentos e deve se tornar o maior agrupamento oposicionista. Ele tem orientação liberal, e as duas outras agremiações são conservadoras.

 

Com DW

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