A 30 DIAS DAS ELEIÇÕES, DISPUTA PELO 2º TURNO NO PARANÁ DEVE SE ACIRRAR

Quadro ao governo do estado ainda não está definido, avaliam cientistas políticos que analisam a corrida ao Palácio Iguaçu

A corrida pelo governo do Paraná entra em seus últimos 30 dias em meio a dúvidas sobre se haverá ou não segundo turno. Também há expectativa entre analistas sobre a possibilidade do surgimento de um fato “excepcional”, que poderia alterar de forma significativa disputa. E, em caso de o jogo ir para o segundo tempo, há ainda dúvida sobre quem ficaria com uma das vagas.

A possibilidade de a disputa ser decidida já no primeiro turno veio à tona com a divulgação da primeira pesquisa do Ibope após o início do horário eleitoral no rádio e na tevê. O levantamento mostrou que o candidato Ratinho Junior (PSD) aumentou a liderança, passando de 33% para 42%. Já Cida Borghetti (PP) variou de 15% para 13%, dentro da margem de erro de 3 pontos porcentuais, enquanto que João Arruda (MDB) foi de 5% para 6% e Doutor Rosinha (PT), de 3% para 4%. Com esses números, o deputado estadual do PSD venceria a eleição no primeiro turno.

“Não temos mais tempo para uma mudança gradual no quadro da eleição estadual, mas pode haver alteração em consequência de eventos pontuais, acontecimentos excepcionais. Por exemplo, um escândalo envolvendo um dos principais candidatos teria força para alterar os resultados nas urnas. E esse tipo de evento ocorre geralmente na reta final, com o acirramento da disputa. Os candidatos sabem que muitos eleitores decidem na última hora”, diz Emerson Cervi, cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Avaliação semelhante é feita pelo também cientista político Mário Sérgio Lepre, professor da PUC Paraná. “As eleições deste ano são bastante atípicas. Uma série de externalidades, casos pontuais podem vir a ocorrer de surpresa. Mas em condições normais de pressão e temperatura, ainda é possível ter algumas alterações, dependendo da qualidade das campanhas. Não é possível prever uma estabilidade”, analisa.

Para esses cientistas políticos que acompanham as eleições no Paraná, além da dúvida sobre se haverá ou não segundo turno, ainda não está consolidado quem seria o adversário de Ratinho Junior após o primeiro turno.

“Ainda é precipitado dizer que o quadro já está dado. Uma boa campanha pode levar a disputa ao segundo. E, nesse caso, o adversário do Ratinho ainda estaria indefinido”, diz Lepre ao enfatizar que a diferença da candidata Cida para João Arruda e Doutor Rosinha não é tão grande assim.

Influência Nacional

Diferentemente do que ocorreu nas eleições de 2014, as reviravoltas a que estão sujeitas a disputa para a Presidência da República – que apresentam um quadro bem mais instável – têm chances menores de causar impacto na eleição para o governo do Paraná.

“A possibilidade de mudanças no quadro nacional provocar uma alteração profunda na disputa estadual é muito menor que nas últimas eleições. Os nossos principais candidatos ao governo do estado não têm uma relação direta com os principais candidatos à Presidência. O Ratinho e a Cida estão na coligação do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, que não tem bom desempenho nas pesquisas”, observa Emerson Cervi.

O fato de Ratinho ter construído sua candidatura com forte conotação pessoal, com base em seu nome, é ressaltado por Mário Sérgio Lepre. “O Ratinho subiu depois que começou o horário eleitoral. Ele já era um cara conhecido do público, mas muitos não sabiam que ele era candidato a governador. Com o horário eleitoral na tevê e no rádio, o eleitor tomou conhecimento que ele é candidato e confirmou sua opção”, avalia.

Recursos

A disponibilidade de recursos para investir na campanha terá influência daqui para a frente, mas, na avaliação dos especialistas, não terá força suficiente para uma alteração radical no cenário. “Especificamente, o dinheiro de cada candidato não tem força para uma reversão do quadro atual, mas pode consolidar um segundo turno. A Cida, que até agora tem mais recursos, pode avançar e garantir o segundo turno”, prevê Cervi.

Dados do Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), desta sexta-feira (7), mostram que Cida Borghetti lidera com folga a arrecadação de recursos para campanha. Foram R$ 6,8 milhões, até o dia 6 de setembro, contra R$ 4 milhões de João Arruda. Já Ratinho Junior arrecadou R$ 2,5 milhões, sendo R$ 500 mil declarados como recursos próprios.

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Pesquisa realizada pelo Ibope de 1º a 4/set/2018 com 1204 entrevistados (Paraná). Contratada por: REDE PARANAENSE DE COMUNICAÇÃO. Registro no TRE: PR-04985/2018. Margem de erro: 3 pontos percentuais. Confiança: 95%. Pelos dados da pesquisa, Ratinho Junior (PSD) tem 42% das intenções de voto, Cida Borghetti (Progressista) 13%, João Arruda (MDB) 6%,Doutor Rosinha (PT) 4%, Ogier Buchi (PSL) 1%, Professor Piva (PSOL) 1%, Professor Ivan Bernardo (PSTU) 1%, Priscila Ebara (PCO) 1%, Jorge Bernardi (Rede) 1%, Geonísio Marinho (PRTB) 0%. Brancos/nulos 16% e Não sabe 14%.

A primeira pesquisa do Ibope foi realizada de 16/ago a 22/ago/2018 com 1008 entrevistados (Paraná). Contratada por: REDE PARANAENSE DE COMUNICAÇÃO. Registro no TSE: PR-04869/2018. Margem de erro: 3 pontos percentuais. Confiança: 95%.

OBS: A pesquisa está sendo impugnada por duas representações eleitorais, ajuizadas por interessados diversos, segundo os quais a pesquisa não atendeu aos requisitos previstos na Resolução n. 23.459/TSE, especialmente quanto à insuficiente estratificação para o nível econômico dos eleitores respondentes. *Não sabe / Não respondeu.

(Com Gazeta do Povo)

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